Brasileiros elegem prefeitos e vereadores em eleições atípicas devido a pandemia

·3 minuto de leitura
O atual prefeito de São Paulo e candidato do PSDB à reeleição, Bruno Covas, vota em São Paulo

Brasileiros elegem prefeitos e vereadores em eleições atípicas devido a pandemia

O atual prefeito de São Paulo e candidato do PSDB à reeleição, Bruno Covas, vota em São Paulo

Os brasileiros foram às urnas neste domingo (15) para eleger prefeitos e vereadores, no primeiro turno de eleições municipais que transcorreram com calma apesar da pandemia, e que, segundo analistas, deverão confirmar a guinada à direita no país iniciada em 2018.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as projeções apontam que haverá segundo turno. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Barroso, reportou uma jornada "normal em todo o Brasil" e "uma sociedade muito mobilizada", apesar de ter admitido a possibilidade de abstenção elevada devido à pandemia.

A maioria das seções eleitorais fechou às 17h, após terem aberto uma hora mais cedo do que o normal, para evitar aglomerações. Medidas de proteção foram implementadas, como o uso obrigatório de máscara e o distanciamento entre os eleitores.

Dois anos após a chegada de Bolsonaro ao poder e o fim de uma sequência de vitórias da esquerda nas eleições presidenciais, analistas estimam que as eleições municipais irão reforçar os candidatos de partidos tradicionais de direita e centro-direita, como MDB, PSD, PP e DEM, o que não significa, necessariamente, um apoio ao bolsonarismo. Os candidatos apoiados pelo presidente obtinham resultados mistos em grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, segundo pesquisas de boca de urna do Ibope.

Com 33% das intenções de voto, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) disputaria o segundo turno com o candidato do MTST, Guilherme Boulos (PSOL), com 25%. As projeções tiram da disputa o candidato apoiado por Bolsonaro, o jornalista Celso Russomano (Republicanos), que tinha 8%.

No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) liderava com 39%, seguido do atual prefeito e aliado de Bolsonaro, Marcelo Crivella (Republicanos), com 20%.

De forma geral, analistas veem estas eleições como um apoio à continuidade, sem o surgimento de "outsiders", como em 2016 e 2018.

- Votação na pandemia -

Quase 148 milhões de eleitores foram convocados às urnas para escolher prefeitos e vereadores de 5.569 cidades, nas quais serão responsáveis pelas políticas de saneamento, transporte, saúde e educação.

A pandemia do novo coronavírus - que já causou mais de 165 mil mortes no país e uma recessão econômica - provocou o adiamento das eleições por seis semanas, evitou o "corpo a corpo" das campanhas presenciais e poderá aumentar o índice de abstenção, cuja média histórica é de 20%.

Números preliminares do TSE divulgados no começo da noite apontam uma abstenção oscilando entre 15% e 27%, a depender do estado. "Havia pouca gente, talvez por causa da pandemia. Acho que as pessoas estão mais apáticas este ano", comentou Severino Pereira, 47, que votou em São Paulo.

Embora o presidente do TSE tenha afirmado que o nível de notícias falsas durante este processo tenha sido "mínimo", uma equipe de nove veículos de checagem, da qual a AFP faz parte, publicou dezenas de verificações no âmbito da iniciativa “Fato ou Boato”, promovida pelo TSE durante as eleições municipais deste ano.

- Esquerda dividida -

De acordo com pesquisas prévias e com as projeções da boca de urna, partidos de esquerda, como PSOL, PDT, PCdoB e PT, deverão ir para o segundo turno em capitais como São Paulo, Recife, Porto Alegre, Fortaleza e Belém.

O ex-presidente Lula (PT) votou cedo em São Bernardo do Campo e disse que estas eleições serão "históricas". "Acho que o PT sairá muito fortalecido e acho que iremos recuperar e ganhar cidades novas."

Salpicado por escândalos de corrupção e pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o PT experimentou a pior derrota eleitoral de sua história nas municipais de 2016, perdendo 60,2% das prefeituras as quais tinha vencido quatro anos antes.

Em São Paulo, o resultado de Boulos, 38, era destacado pela imprensa como a surpresa do dia. Embora ele não lidere as intenções de voto para o segundo turno, a professora Déborah Martins, 54, mostrava-se esperançosa, após votar no candidato do PSOL: "A esquerda está muito dividida este ano. Acho que esta será uma eleição difícil, mas acredito que Boulos chegará."

pr-mel/val/rs/dga/lb