Brasileiros estão bebendo mais e fumando menos, aponta IBGE

Ana Paula Blower
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Foto: Pixabay
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RIO - Os brasileiros estão bebendo mais e fumando menos. A constatação é de um levantamento do IBGE, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), com dados relativos a 2019. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (18) e mostra que, se o consumo de álcool aumenta mais entre as mulheres, os homens têm mais o hábito de dirigir após beber.

Segundo os dados mais recentes da PNS, de 2019, 26,4% da população adulta costuma consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por semana, aumento de 2,5% em relação a 2013, o último ano do levantamento. Já a população de mulheres que bebem álcool cresceu 4,1% em seis anos, enquanto o percentual dos homens ficou praticamente estável.

Ainda assim, os homens continuam bebendo mais do que elas: 37,1% deles consome bebida alcoólica, contra 17% das mulheres.

O estado onde mais se bebe álcool uma vez ou mais por semana é o Rio Grande so Sul, com uma taxa de 34%. Em seguida, Mato Grosso do Sul, com 31, 3%, São Paulo e Santa Catarina, com 31%. O Rio de Janeiro aparece com 26, 3%. O Acre foi o estado com o menor percentual de consumo: 12, 8%.

A pesquisa e especialistas ressaltam que o aumento no consumo de álcool pode implicar em risco para diversas doenças crônicas, como as cardiovasculares. Elias Tanus, neurocirurgião endovascular e coordenador do setor de neurointervenção no Instituto do Estado do Brasil Paulo Niemeyer, chama atenção para a relação do abuso de álcool para elevação dos casos de AVC hemorrágico.

— Isso ocorre porque o consumo de álcool se relaciona com o surgimento da hipertensão arterial ou seu agravamento, promovendo fator de risco para ocorrerência de AVC — alerta. — A população deve entender que não existe dose segura para o consumo do álcool. Quando é feito de forma crônica, o avançar do tempo promove o surgimento desses problemas que citei.

A pesquisa, parceria do IBGE com o Ministério da Saúde, aponta ainda que, entre condutores de carros e motos, 17% dirigiram depois de beber. Aqui, a diferença entre homens e mulheres também se destaca: 20,5% entre eles, 7,8% entre elas.

O número de fumantes também diiminuiu. A taxa de pessoas que fazem uso de produtos derivados de tabaco, fumado ou não, de uso diário ou ocasional foi de 12,8% em 2019 - contra 14,9% em 2013. Entre os homens, o percentual caiu de 19,1% para 16,2%; entre as mulheres, de 11,2% para 9,8%.

A pesquisa avaliou também a quantidade de fumantes passivos. Em 2013 eram 10,8% dos não fumantes diziam estar expostas à fumaça de tabaco no ambiente familiar, no ano passado, 9,2%. No ambiente de trabalho, essa taxa caiu mais ainda: há seis anos era de 13, 4% e foi para 8, 4% em 2019.

Para a especialista em Saúde Pública Ligia Bahia, a redução do tabagismo explícita o acerto de políticas públicas. Por outro lado, argumenta que ainda há falhas na prevenção do consumo exagerado de álcool.

— O Brasil elaborou e efetivou uma poltica antitabagista. Não têm mais anuncio de cigarro nas mídias, por exemplo — afirma a professora da UFRJ, que comenta o aumento no consumo de álcool. — Mas, com relação às bebidas alcoólicas, ocorreu o contrário: o cenário poltico mudou. E, nós, da saúde pública, fomos afastados das definições sobre as políticas de saúde e a comercialização das bebidas alcoólicas têm um padrão selvagem, expresso em anúncios que vinculam álcool com felicidade.