Quem são os brasileiros famosos que moram em Portugal?

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Brasileiros famosos que moram em Portugal falam como é viver no país (Foto: Reprodução/Instagram)
Brasileiros famosos que moram em Portugal falam como é viver no país (Foto: Reprodução/Instagram)

Por Thaís Rodrigues

Não é de hoje que Portugal virou um ‘refúgio’ dos brasileiros. Falar a mesma língua – apesar de algumas diferenças no vocabulário dignas de atenção —, o clima com um dos invernos mais amenos em relação aos outros países da região, a boa receptividade, além da facilidade de ir a outros cantos do velho continente em apenas algumas horas, fazem com que a terrinha seja um dos lugares preferidos para se viver o tal sonho de morar na Europa.

E isso é visto nos números. Segundo o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), a nacionalidade brasileira mantém-se como a principal comunidade estrangeira residente em Portugal, representando 27,8% do total. Em 2020, o número de brasileiros vivendo no país cresceu pelo quarto ano consecutivo, atingindo o recorde de 183.993 residentes legais, uma alta de 21,6% em relação ao ano anterior.

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Alguns famosos brasileiros também resolveram se mudar para o país. Entre eles, estão os surfistas de ondas gigantes Pedro Scooby e Maya Gabeira, a empresária Susana Werner e os atores Marcello Antony, Joana Balaguer e Giovanna Ewbank. “O que mais gosto daqui é a receptividade das pessoas comigo. E agora com meus filhos, que estão encantados com tudo”, diz a atriz em entrevista ao Yahoo!, sobre Titi, de 8 anos, Bless, de 6, e Zyan, de 1, de seu casamento com Bruno Gagliasso. Ewbank está no país desde do início de junho, para ficar mais perto do marido, trabalhando na Espanha.

Joana Balaguer, por exemplo, se mudou para Portugal em 2009, e não pensa mais em voltar a morar no Brasil, pelo menos por enquanto. “Temos estradas excelentes, que dão para percorrer de norte a sul, por ser um país pequeno. E podemos ir a outros lugares da Europa muito facilmente”, conta.

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“Portugal tem lugares incríveis e de estilos totalmente diferentes. Estava na Região do Douro essa semana, por exemplo, um lugar incrível, no meio das montanhas, aquele verde. Tem o Algarve, o Alentejo, Gerês... cada lugar tem uma qualidade diferente”, emenda Scooby.

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É parecido, mas tem suas diferenças...

Apesar dos números animadores de brasileiros em solo lusitano, é preciso ter parcimônia ao pensar em mudar para o país. Segundo Ana Luiza Fernandes, responsável pelo projeto Euro Dicas, uma das principais fontes de informações para quem pensa em viver na Europa, é necessário levar em consideração pontos fundamentais. “A regularização, sobre qual visto solicitar para morar no país, caso não tenha cidadania europeia, conhecer o estilo de vida e o que esperar de Portugal, porque muitos brasileiros não pesquisam como é antes de ir e têm ideias equivocadas do que vão encontrar. E conhecer o custo de vida do país, a sua reserva financeira e o planejamento de gastos”, ensina.

O inverno, por exemplo, é um fator a se considerar. Apesar das temperaturas não se compararem com outros países da Europa e também por não nevar – com exceção da Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal Continental —, é difícil para quem não está acostumado. 

“Sou um cara que não gosta muito de frio, quando chega aqui o auge do inverno, sempre vou para o Brasil ficar um pouco lá para aliviar”confessa Scooby

“Como carioca, acho que o frio nunca será normal. Mas já aprendi bastante como atenuá-lo e me sentir bem com ele. Mas sinto falta do clima tropical”, assume Maya.

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Tem, claro, quem vê vantagem nos termômetros com o marcador lá embaixo. “Amo o clima daqui, tem muito sol, quase o ano todo. O frio é tranquilo, bem agradável, perfeito para tornar alguns dias românticos com um bom vinho”, ensina Werner.

Já o verão português pode surpreender com temperaturas de até 40ºC. O mês de julho de 2020, por exemplo, foi o mais quente em 89 anos, segundo o IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera). 

“Como carioca, não estava muito suportando o calor do Rio, onde 80% do ano é verão. Aqui faz tanto calor como lá, só que seco, mas se vou para a sombra tem frescor, o que não tem no Rio. Eu, particularmente, adoro frio. Prefiro estar muito bem agasalhado no frio, do que estar suando em bicas no calor”, diz Marcelo Antony, aos risos.

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Maya, que mora em Nazaré, pertinho das ondas gigantes, é apaixonada pela natureza e pelas praias mais vazias de Portugal. Porém, ela lembra que, mesmo em um dia muito quente, a água do mar é “sempre gelada”.

Qualidade de vida, mas salários baixos...

De acordo com Ana Luiza, a principal vantagem de Portugal é a qualidade de vida inquestionável. “É o quarto país mais pacífico do mundo e essa sensação de segurança é sentida em todo o território, incluindo nas grandes cidades. A saúde pública atende a toda população e, mesmo que não seja gratuita e possa existir atrasos, o serviço é de qualidade e para todas as classes sociais. A educação é prioridade no país, dos pequenos aos adultos, e a qualidade das escolas e universidades melhora a cada ano”, enumera ela.

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“Talvez o fator segurança tenha, sim, algum peso para permanecermos”, afirma Werner. “A principal diferença [com o Brasil] realmente é cultural, em relação à segurança, saúde, educação pública. São diferenças bem visíveis. A educação no trânsito também é outro ponto bem gritante”, opina Antony. 

“Acho um privilégio poder morar num lugar seguro e com um estilo de vida mais tranquilo”concorda Maya

O mercado em Portugal impressiona, se comparado ao Brasil: uma grande variedade de produtos — e de qualidade – que se compra com centavos. Com € 10 (o equivalente a R$ 61), é possível levar macarrão, arroz, molho, um acompanhamento e até um vinho! Mas se o custo de vida no país é baixo, o salário também. “O salário mínimo em Portugal é € 665 (o equivalente a R$ 4.026) em 2021. Portanto, quem deseja juntar dinheiro, fazer fortuna, enviar dinheiro para o Brasil, não é um bom país para isso. Aqui vive-se muito bem com pouco dinheiro”, avisa Ana Luiza. “Acho que é um bom salário para viver com tranquilidade. A gente aproveita muito a vida, os momentos, não tem aquele corre-corre como no Rio, onde eu morava”, compara Balaguer.

E trabalhar remoto?

Mas, se a ideia é fazer trabalho remoto ou morar em Portugal e continuar trabalhando para o Brasil, ganhando em reais, pode ser que não haja tanta diferença. “Na verdade, o custo de vida aqui, se você ganha em euro fica melhor, mas se ganha em real e faz o câmbio, acaba sendo quase a mesma coisa”, conta Scooby.

A taxa de desemprego também é bem baixa em Portugal, aproximadamente 6,5% atualmente, e há vagas para imigrantes e locais. Sendo legalizado, é possível conseguir emprego em diversas áreas, dependendo do que se busca e do grau de escolaridade. Além disso, é um país que incentiva o empreendedorismo, como aconteceu com Werner. “Portugal me deu o empreendedorismo na veia, aqui tenho tido oportunidades incríveis. Amo trabalhar, me encontrei no ramo da beleza e hoje tenho mais de 10 pessoas trabalhando comigo na minha loja”, relata ela.

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Preço de casas e apartamentos

Um dos pontos que mais se reclama na ‘terrinha’ é o preço dos imóveis. Tanto os valores dos alugueis (ou arrendamentos, como eles dizem), quanto da venda de casas e apartamentos subiram muito ao longo dos anos. Para se ter uma ideia, um apartamento de dois dormitórios em uma área nobre de Lisboa, pode variar entre € 750 (cerca de R$ 4,5 mil) a € 5 mil (cerca de R$ 30 mil) por mês, dependendo da área da residência, tanto interna, quanto externa. Já em uma região mais afastada, dificilmente encontrará um lugar para viver, nos mesmos parâmetros, por menos de € 550 (R$ 3,3 mil).

Mas se o foco é algo mais tranquilo, a cidade de Sintra pode ser uma boa alternativa. Nos arredores do centro turístico, um apartamento de dois dormitórios custa cerca de € 700 o mês (cerca de R$ 4,2 mil). Foi lá que Ewbank escolheu para viver com os filhos por alguns meses. “A gente está em Sintra que é uma região residencial, mas bem próxima de Lisboa. É um lugar com bastante verde como a gente sempre preza para que os nossos filhos tenham esse contato com a natureza, com a terra, com os animais. E possam viver mais à vontade, ainda que a gente esteja nesse cenário de pandemia aqui em Portugal também”, diz ela.

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Lugar bom para criar os filhos

É inegável o cuidado que Portugal tem com suas praças, parques e áreas de lazer públicas. Tanto nas regiões mais nobres, quanto nas mais humildes, sempre há um local para levar as crianças para brincarem. Além do que, para viajar é possível pegar o carro e percorrer o país todo em dias, ou até mesmo ir para algum ‘vizinho’ europeu. “Meus filhos amam. A gente viaja bastante aqui dentro, Portugal é um país pequeno, então, você consegue ir para o norte, sul, tem a Espanha aqui perto”, afirma Scooby, pai de Dom, de 9 anos, e dos gêmeos Bem e Liz, de 5, de seu casamento com Luana Piovani, que também vive no país.

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Quando o assunto é criar os filhos, a segurança, saúde e a educação também voltam a ser temas principais. 

“É tudo bem mais em conta. Por incrível que pareça, apesar de eu estar morando fora do meu país, meu custo com meu filho aqui é mais barato do que era no Brasil”, compara Marcelo Antony, que mora em Cascais com os cinco filhos: Francisco, de 17 anos, e Stephanie, de 20, do casamento com Mônica Torres; Lorenzo, de 9, do relacionamento com Carolina Villar, e os enteados, Lucas, de 20, e Louis, de 15.

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