Brasileiros gastaram dinheiro de contas inativas do FGTS com pagamento de dívidas e compras no varejo

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O Ministério do Planejamento informou no mês de agosto que os saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), estimados em 44 bilhões de reais, devem contribuir em 0,61 ponto percentual para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, deixando-o positivo. Segundo a Caixa Econômica Federal, 36% do valor sacado pelos trabalhadores acabou destinado ao pagamento de dívidas. O restante do dinheiro foi para o consumo ou depositado na poupança.

De acordo com a estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os saques do FGTS geraram um saldo positivo de R$ 10,8 bilhões nas vendas do comércio varejista. Segundo o indicador, 25% do dinheiro foi responsável por 1,4% das vendas no período.

Dentre os oito segmentos do varejo, o mais beneficiado foi o setor de vestuário e calçados, que recebeu R$ 4,1 bilhões. Segundo os relatórios da CNC, também acabaram impactados os setores de supermercado (R$ 2,8 bilhões), artigos de uso pessoal e doméstico (R$ 1,3 bilhão) e móveis e eletrodomésticos (R$ 1,2 bilhão).

Em entrevista ao Yahoo, o economista e professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha, lembrou ainda que o destino do dinheiro variou de acordo com a quantia que havia nas contas.

“Trabalhadores que sacaram valores baixos gastaram parte do dinheiro com compras de gêneros de primeira necessidade, como remédios e alimentos. Mas teve uma parcela que recebeu um valor maior. Essas pessoas usaram o dinheiro para trocar de carro, por exemplo”, destacou ele.

Contudo, o especialista acredita que esse aporte na economia não será o grande responsável pela melhora do PIB de 2017. “Existe uma propaganda muito grande do governo em cima desta medida, é preciso tomar cuidado. Claro que os saques ajudaram um pouco na economia, vieram num bom momento, mas não foram suficientes para levantar o PIB”, afirmou Ricardo.

A explicação para o Produto Interno Bruto positivo em 2017 estaria, então, no aumento do otimismo dos consumidores e empresários, especialmente pela redução do desemprego. “Consumidor que está empregado se sente mais confiante, porque acredita que a crise parou de piorar. Se as pessoas passam a consumir, os empresários contratam mais para produzir mais. É um ciclo otimista que beneficia a economia”, explica o professor do Insper.

Os saques das contas inativas do FGTS começaram em março deste ano e seguiram até 31 de julho, beneficiando trabalhadores que tiveram contratos de trabalho encerrados sem justa causa até 31 de dezembro de 2015. Segundo dados da Caixa, 25,9 milhões de brasileiros foram beneficiados com a medida. Entretanto, 6,7 milhões de pessoas deixaram de sacar R$ 5,8 milhões. Desses trabalhadores, 80% não fizeram o saque porque tinham em suas contas valores menores que um salário mínimo.