Brasileiros pagaram R$ 241 bilhões em impostos só no primeiro mês do ano

Divulgação/ACSP

Por Milena Carvalho

Se você mora em São Paulo ou já esteve de passagem pelo centro da cidade, mais precisamente na rua Boa Vista, pode ter avistado um painel vermelho, com números bem exorbitantes. Mais conhecido como Impostômetro, ele estima, em tempo real, o valor total de impostos que está sendo pago pelos brasileiros. De acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), responsável pelo sistema, a marca atingida somente em janeiro desse ano já foi de R$ 241 bilhões.

Com esse valor, segundo o órgão, seria possível comprar 554.548.931 cestas básicas ou até mesmo 245.900 carros do modelo Porsche. Além disso, o brasileiro poderia receber 50 salários mínimos mensais durante 429.080 anos ou aplicar o dinheiro na poupança, o que renderia R$ 32.437 de juros por minuto.

Em entrevista ao Yahoo Finanças, Marcel Solimeo, economista da ACSP, diz que o objetivo da contagem é mostrar que todos nós pagamos uma quantidade alta de impostos – e, por isso, temos o direito de exigir um retorno do governo sobre a melhor utilização do dinheiro público. “O painel chama a atenção de quem passa por ali, e essa é a função dele. Tem um sentido educativo para fazer as pessoas pensarem: ‘como é aplicado o valor que pago obrigatoriamente?’”, afirma.

O especialista compara o Brasil com países desenvolvidos em relação à taxa paga, mas recebendo menos em troca por isso. “Temos uma carga tributária em torno de 33%, o que poderia ser visto em outras nações de renda mais alta, como a Bélgica”, exemplifica. O problema por aqui, segundo ele, é o cidadão precisar optar por unidades privadas em busca de um serviço melhor, como hospitais e escolas particulares.

“A má gestão pública é um problema crônico do Brasil. Enquanto a população faz sua parte, pagando impostos altos e em dia, a administração pública peca ao não reduzir despesas e investir em serviços públicos e qualidade de vida”, avalia ainda Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), em nota oficial.

Como é feito o cálculo do Impostômetro?

O painel eletrônico, que além de estar na capital paulista pode ser encontrado em outras regiões como Guarulhos, Rio de Janeiro, Brasília, Florianópolis e Manaus, computa os tributos federais, estaduais e municipais. Neles estão inclusos impostos, taxas e contribuições, além das multas, juros e correção monetária.

Alguns fatores levados em conta para que a estimativa seja a mais factual possível são os orçamentos de cada local do Brasil e a previsão da inflação para o ano. Os dados recebidos pela ACSP por órgãos do governo, como a Receita Federal e Secretaria do Tesouro Nacional, são colocados instantaneamente no sistema do Impostômetro.

Vale lembrar que por ser calculado em tempo real, o valor é apenas uma projeção. No entanto, conforme os números oficiais vão sendo liberados, o cálculo é atualizado. De acordo com a ACSP, o dinheiro arrecadado no fim do ano normalmente termina com uma diferença menor que 5%.