Brasileiros, ricos e pobres, adotam novos hábitos na crise

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The Pavao-Pavaozinho slum is seen atop the Copacabana neighborhood in Rio de Janeiro, Brazil, January 12, 2017. Picture taken January 12, 2017.
Enquanto pobres deixam de consumir carne e sofrem com a inflação, os mais ricos gastam com itens de luxo. (REUTERS/Nacho Doce)
  • Hábitos de consumo dos brasileiros mudou nos últimos dois anos;

  • A chegada da pandemia de Covid-19 fez crescer a inflação, o preço dos produtos e restringiu viagens;

  • Os reflexos da crise econômica serão fatores decisivos nas eleições de 2022.

Nos últimos anos os brasileiros têm mudado seus hábitos de consumo. A carne saiu da mesa dos brasileiros, empréstimos tem servido de fonte para pagar contas de água e luz, por exemplo. A alta da inflação, o desemprego e a perda de renda, reflexos da pandemia do novo corona vírus, motivam novas práticas da população brasileira.

O consumo de carne vermelha está cada vez mais difícil. A agência de pesquisa e análise, Bare Internacional, aponta que os brasileiros estão optando por outras fontes de proteína como o frango (57%), seguido pelo ovo (19%), peixes - com exceção do salmão - (15%), cortes menos nobres de carne vermelha (14%), e carne de porco (6%). A maior parte dos entrevistados (89%) justificam a escolha por conta da elevação dos preços nos alimentos.

Contas como a luz, água e internet são prioridades nas casas, pois o não pagamento pode levar ao corte do serviço. Para manter os serviços 35% dos brasileiros estão buscando empréstimos pessoais, de acordo com dados do aplicativo de crédito, Jeitto.

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Na cidade de São Paulo, por exemplo, a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), feita pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), indica o recorde no endividamento das famílias paulistanas. O percentual de dezembro de 2021 ficou em 74,5%, o maior desde 2010.

As mudanças de hábitos de consumo e a administração da renda familiar mudaram por conta do aumento da inflação nos último anos. Em 2021 o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou em 10,06%, o maior índice desde 2015 calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O etanol (62,23%), o café moído (50,24%) e a mandioca (48,08%) foram os produtos que mais subiram. No entanto os combustíveis e a conta de luz encareceram, respectivamente, 49,02% e 21,21%. O ponto dos combustíveis e da energia elétrica é que seus aumentos repercutem no preço de outros itens, pois estão presentes na produção e no transporte de mercadorias e serviços.

E não pense que o índice de inflação é igual para todas as camadas da população. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) a população com renda muito baixa teve uma inflação 0,54% maior do que a de renda muito alta. Famílias com renda inferior a R$ 1.808,79 tiveram uma inflação de 10,08% e os mais ricos, com renda superior a R$ 17.764,49, tiveram uma inflação de 9,54%.

E o cenário para os próximos anos não é animador. Segundo levantamentos do TCU (Tribunal de Contas da União), as contas de luz continuarão a aumentar para pagar os empréstimo contratados pelo setor junto ao governo federal. E a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) estima que o preços dos combustíveis praticados no Brasil estão defasados entre 6%, no caso da gasolina, em comparação aos preços adotados no exterior.

Ao mesmo tempo os hábitos de consumo dos bilionários brasileiros também mudou. Com as fronteiras fechadas e mais tempo em casa os mega ricos acumularam mais dinheiro e compraram carros de luxo, casas de alto padrão e helicópteros.

Esses cenários tão diferentes influenciam as eleições do próximo mês de outubro. Segundo o Datafolha após a saúde, reflexo da pandemia de Covid-19, a maior apreensão dos brasileiros é a economia. As principais preocupações dos cidadãos são com a saúde (24%), desemprego (14%), economia em geral (12%), fome e miséria (8%) e inflação (7%).

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