Brasileiros são presos em Miami por facilitarem sequestro de neto

(Arquivo) Foto mostra Chris Brann, pai do menino Nico Brann, durante coletiva de imprensa em Washington, nos Estados Unidos, em 17 de novembro de 2015

Dois brasileiros foram presos em Miami nesta quarta-feira (7) por colaborarem no sequestro de seu neto de oito anos, Nico Brann, que foi levado ao Brasil ela mãe há cinco anos sem a autorização do pai americano, informaram as autoridades americanas.

O caso ganhou as manchetes nos dois países quando o pai da criança, Chris Brann, testemunhou sobre seu caso ante o Congresso americano em 2016 para pedir a Washington que impusesse sanções ao Brasil por não cumprir com a Convenção de Haia sobre o sequestro internacional de menores.

Em um novo episódio desta longa batalha judicial, o FBI deteve Carlos Guimarães, presidente de 67 anos da ED&F Man Brasil - empresa de comércio de produtos agrícolas com sede em Londres -, e sua esposa, Jemima Guimarães, de 65 anos, em sua chegada ao aeroporto de Miami.

Sobre a prisão de seus ex-sogros, Chris Brann comentou em comunicado: "lamento muito que tenhamos chegado a isso. Tudo o que eu queria, e ainda quero, é que meu filho Nico tenha igual acesso a seus dois pais amorosos. Se Nico for devolvido a Houston, estou disposto a pedir ao gabinete do promotor que seja indulgente em seu manejo do caso de Carlos e Jemima".

Chris Brann, médico morador de Houston (Texas), e Marcelle Guimarães se separaram em 2012 e dividiam a guarda do menino. No ano seguinte, ela viajou para Salvador prometendo que voltaria, mas obteve a guarda total em seu país e desde então o pai tenta recuperá-la, mas sem sucesso.

O avós de Nico Brann são acusados de conspiração e sequestro parental internacional. Caso sejam declarados culpados, enfrentam uma pena de até cinco anos em uma prisão federal, indicou a Promotoria do Texas.

Essas acusações também pesam sobre Marcelle Guimarães, mas ela não está sob custódia.

O advogado de Chris Brann, Jared Genser, disse que "tanto o governo do Brasil como o dos Estados Unidos concordam que Nico Brann foi tirado ilegalmente dos Estados Unidos em violação à Convenção de Haia".

Não obstante, "inexplicavelmente (...), os tribunais brasileiros se negam a devolver Nico aos Estados Unidos", acrescentou.