Braskem fecha acordo e realocará 17 mil pessoas em quatro bairros de Maceió

Henrique Gomes Batista

SÃO PAULO — A Braskem informou nesta sexta-feira que fechou um acordo para resolver o impasse em quatro bairros de Maceió, em Alagoas, que sofrem com o afundamento do solo, próximo de uma mina de sal da companhia. A empresa se comprometeu em realocar cerca de 17 mil moradores de quatro bairros. O acordo envolve R$ 3,7 bilhões e sua divulgação fez com que a cotação das ações da empresa negociadas na Bolsa (B3) disparasse.

“Acordo assinado entre a Defensoria Pública do Estado de Alagoas, o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado de Alagoas, a Defensoria Pública da União e a Braskem estabelece ações cooperativas para a desocupação de áreas consideradas de risco pelos técnicos nos bairros Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto, com estimativa de que sejam concluídas em dois anos. A Braskem apoiará a realocação das pessoas, sob orientação dos órgãos competentes”, afirmou a empresa, em nota.

Os quatro bairros, onde estão 4.500 edificações, começaram a sofrer afundamento do solo, causando rachaduras nas casas. Em 2018 o local começou a sofrer tremores de terra. Moradores e o Serviço Geológico do Brasil apontavam a extração do sal pela Braskem como responsável pela situação. A empresa negava sua responsabilidade. Agora, com o acordo, a empresa também vai iniciar estudos para fechar a mina de sal.

“O cronograma de desocupação será decidido em conjunto pelas autoridades e Braskem, mas a priorização será feita por critérios técnicos”, informou a empresa, em nota. Segundo a Braskem, “o acordo prevê a restituição de aproximadamente R$ 3,7 bilhões, até então bloqueados do caixa da empresa, sendo que R$ 1,7 bilhão serão transferidos para uma conta bancária da Braskem específica para o custeio do Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação. Além disso, a empresa manterá um seguro-garantia de R$ 2 bilhões e adicionalmente, a empresa manterá um seguro-garantia de R$ 1 bilhão para cobrir eventuais reparações ambientais”.

A resolução desta situação acaba com um dos maiores passivos para a empresa, sociedade entre Odebrecht e Petrobras, que está à venda para tentar solucionar as dívidas da empreiteira, que está em recuperação judicial. A falta de uma estimativa dos valores para reparação desta situação era apontada por analistas como a maior dificuldade para a definição do preço da empresa. Com essa resolução, o mercado reagiu bem e os papéis da empresa subiam, no meio da tarde, mais de 6% na B3, a bolsa de valores de São Paulo.