A brecha Norte-Sul volta no início das negociações da COP26

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"Eles vão nos queimar vivos!", denuncia manifestante durante protesto do grupo Extinction Rebellion na cidade escocesa de Glasgow em 7 de novembro de 2021 (AFP/Paul Ellis)

A COP26 iniciou nesta segunda-feira (8) a semana crucial de negociações sobre como avançar na luta contra a mudança climática, de novo com a brecha entre Norte e Sul como principal obstáculo.

O financiamento das medidas para mitigar o aquecimento global, a transição energética, as normas de transparência, de controle mútuo, e inclusive a menção aos direitos humanos voltaram a provocar disputas entre as 196 partes negociadoras.

"O grupo de países menos avançados está preocupado com o fato de que as ações de certos países não se ajustam às declarações", criticou o presidente desta aliança, a mais numerosa em Glasgow, Sonam Phuntsho Wangdi, em uma assembleia com todas as partes envolvidas.

Se o planeta deseja evitar um desastre ecológico, os países devem tentar por todos os meios limitar o aquecimento a +1,5ºC, objetivo que no histórico Acordo de Paris de 2015 era apenas um desejo.

"Qualquer compromisso sobre este ponto equivaleria a negociar com a vida de bilhões de pessoas nos países mais vulneráveis", advertiu Sonam Phuntsho Wangdi.

Em vez de +1,5ºC, o mundo segue para um aumento da temperatura de 2,7ºC, na melhor das hipóteses de 2,2ºC, caso sejam adicionados os objetivos de neutralidade de emissões de carbono para 2050, segundo os últimos dados da ONU.

A grande conferência anual da ONU sobre o clima, cancelada ano passado pela pandemia e organizada de 31 de outubro até 12 de novembro na cidade escocesa de Glasgow, registrou na primeira semana uma série de anúncios.

Mais de 100 chefes de Estado e de Governo se comprometeram a cessar o desmatamento até 2030. Também anunciaram planos para emitir 30% menos de metano, gás com efeito estufa 80 vezes maior que o CO2.

Quase 50 países prometeram parar de usar carvão para produzir energia elétrica, e centenas de entidades financeiras privadas ofereceram bilhões de dólares em créditos.

Na metade do encontro, o balanço é agridoce. "Em algumas coisas progredimos muito mais do que poderia imaginar há dois anos, mas está longe de ser suficiente", declarou Helen Mountford, do World Resources Institute.

- Documento curto -

A presidência das negociações, em mãos britânicas, fez circular um documento de apenas três folhas, enumerando simplesmente os pontos importantes que deveriam constar na declaração final.

Este tipo de documento "curiosamente vem adquirindo grande relevância agora, porque se transformou no repositório de temas que não são levantadas em uma sala de negociações", disse à AFP a negociadora-chefe da Costa Rica, Ana Patricia Villalobos.

Em conferências anteriores sobre a mudança climática (COP), um rascunho de declaração final costumava circular no início da segunda semana, para estabelecer as posições dos participantes e acelerar o debate.

A Grã-Bretanha, cujo primeiro-ministro Boris Johnson estava moderadamente otimista no início da COP26, optou por divulgar este documento de maneira muito discreta, e convocar as partes para mais consultas, dividindo os temas e solicitando a dois ministros que liderem conjuntamente as questões.

"Sobre o marco temporal comum", para que todos os países baseiem seus compromissos nos mesmos períodos de tempo comparáveis, "tínhamos oito opções e agora temos nove", explicou, antes de considerar o cenário "indecifrável para os ministros".

"E não chegaremos ao pedido de alguns Estados, países especialmente vulneráveis, para que as revisões das medidas aconteçam anualmente, e não a cada cinco anos", acrescentou.

Enquanto isso, líderes políticos e personalidades continuam discursando para tentar estimular as negociações dos delegados.

"Não fizemos o suficiente para enfrentar esta crise", declarou o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em um discurso aos delegados. "Teremos que fazer mais e isso dependerá muito de vocês", disse.

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