Bretas vai solicitar extradição de ex-presidente do Paraguai acusado de financiar Messer

Bernardo Mello

RIO - Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, após a deflagração da Operação Patrón, representantes do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) informaram que um pedido de extradição contra o ex-presidente paraguaio Horacio Cartes será formalizado através da 9ª Vara Federal Criminal do Rio, cujo titular é o juiz Marcelo Bretas. Cartes é acusado de destinar U$ 500 mil ao doleiro Dario Messer e para ajudá-lo a escapar das autoridades brasileiras. Messer, declarado foragido em maio de 2018, foi preso em julho deste ano em São Paulo, após passar cerca de três meses escondido em solo paraguaio, segundo a investigação.

De acordo com o superintendente interino da PF no Rio, Tácio Muzzi, um pedido de inclusão de Cartes na Difusão Vermelha da Interpol já foi feito após Bretas autorizar o mandado de prisão preventiva do ex-presidente paraguaio. Como o Paraguai não tem a praxe de prender cidadãos nacionais apenas com a inclusão na lista da Interpol, o Brasil iniciou os procedimentos de extradição, que será formalizado através de Bretas, segundo o chefe da PF. Com o pedido de extradição pronto, o Brasil entrará em negociações diplomáticas com o Paraguai para que seja cumprido.

Cartes, que deixou a presidência do Paraguai em agosto de 2018, possui cargo de senador vitalício no país. As autoridades brasileiras entendem que, por não ter foro privilegiado no Brasil, Cartes pode ter sua extradição e prisão solicitadas pela primeira instância do Judiciário brasileiro.

- O Paraguai permite, a princípio, a extradição de nacionais. Compete à Justiça brasileira fazer o pedido de extradição, e cabe às autoridades paraguaias analisarem se aceitam o pedido - afirmou Muzzi.

Segundo as investigações no âmbito da Operação Patrón -- assim nomeada em referência à forma como Messer se referia ao ex-presidente paraguaio --, o doleiro exigiu, através de uma carta, que Cartes lhe destinasse U$ 500 mil e "ajuda permanente" para que escapasse das autoridades. As autoridades dizem que ainda apuram até que ponto chegava a "sociedade oculta" entre Messer e Cartes, mas identificaram um diálogo telefônico entre o doleiro e o empresário Roque Silvera, em 2018, em que Messer afirma que só se entregaria à policia paraguaia "se Horacio (Cartes) deixasse".

De acordo com o MPF e a PF, a estratégia de Messer, após a expedição no Brasil de um mandado de prisão preventiva em maio de 2018, era se entregar às autoridades paraguaias para um período de prisão domiciliar, sem que fosse extraditado para o Brasil. A estratégia mudou em setembro de 2018, após Horacio Cartes deixar a presidência paraguaia, período que coincide com a volta de Messer para o Brasil.

A investigação aponta que a advogada paraguaia de Messer, Letícia Bobeda, comunicou ao doleiro em outro diálogo telefônico que o ministro do Interior paraguaio Juan Ernesto Villamayor havia aceitado receber U$ 2 milhões em propina para bloquear um eventual pedido de extradição de Messer em 2018. Villamayor seguia no cargo no Paraguai até o início de outubro deste ano.

- Ele (Cartes) atuou no financiamento de uma organização criminosa, um fato grave. Não foi uma ajuda a um amigo, mas sim o financiamento de um comparsa criminoso. Este financiamento postergou bastante a captura de Messer - declarou Vagos.

- Não temos como garantir que haverá a extradição. Mas talvez seja o caso de o Paraguai deferir esses pedidos para mostrar a seriedade do país perante o mundo.