"Brexit": Irlanda do Norte continua a dividir Bruxelas e Londres

A Comissão Europeia não esconde o desconforto com o Reino Unido. O motivo é a atitude do governo britânico em relação ao cumprimento do acordo do "Brexit" (saída do Reino Unido da União Europeia) e ao Protocolo da Irlanda do Norte, para o controlo de bens.

A tensão foi evidente na primeira Assembleia Parlamentar da Parceria União Europeia-Reino Unido, esta quinta-feira, em Bruxelas.

Dezenas de deputados britânicos deslocaram-se à capital belga para discutir energia, segurança e áreas de trabalho comuns, mas o elefante na sala foi mesmo o polémico protocolo.

"Estamos seriamente preocupados com o fato de que, ao que parece, o governo britânico está novamente a embarcar no caminho unilateral. Sabemos que soluções unilaterais não podem trazer paz, estabilidade e previsibilidade para a Irlanda do Norte. Por isso, peço novamente que nos sentemos à mesa e negociemos de boa-fé, porque até agora temos apresentado propostas realmente amplas para abordar todas as questões práticas", sublinhou vice-presidente da Comissão Europeia, responsável pelo dossier do "Brexit", Maros Sefčovič.

Durante uma conversa telefónica com a chefe da diplomacia britânica Liz Truss, também esta quinta-feira, o vice-presidente da Comissão Europeia, encarregue do dossier do "Brexit", reiterou um mantra de Bruxelas bem conhecido: os 27 Estados-membros não vão renegociar o acordo de saída e o Reino Unido deveria repensar planos para romper unilateralmente o protocolo, acordado entre as duas partes antes do divórcio.

O governo britânico quer mesmo abandonar partes do protocolo, a menos que a União Europeia acabe com os controlos de mercadorias vindas do Reino Unido para a Irlanda do Norte.

"O que é preciso é que ambos os lados da discussão movam tudo o que puderem para chegar a um acordo. Penso que, se pudéssemos fazer isso e superar os problemas com o acordo de saída, poderíamos cooperar em muitas coisas", disse Oliver Heald, deputado britânico, do partido conservador que esteve presente na Assembleia Parlamentar da Parceria União Europeia-Reino Unido.

Bruxelas não descarta ações de retaliação em caso de manobras unilaterais, como ressalvou à Euronews a eurodeputada francesa do grupo Renovar a Europa, Nathalie Loiseau: "se não houver respeito pelo protocolo, tem de haver uma reação legal e política e isso também será discutido entre os membros do Conselho Europeu. Obviamente vai haver uma reação."

A reação pode passar, por exemplo, por uma guerra comercial aberta, que traria mais dores de cabeça para os dois lados, ainda a lidar com o impacto da pandemia de Covid-19 e da guerra na Ucrânia.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos