Brexit pode reativar violência na Irlanda do Norte, alerta relatório

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A bandeira da União Europeia e a da Irlanda
A bandeira da União Europeia e a da Irlanda

A saída definitiva do Reino Unido da União Europeia, ao final do período de transição pós-Brexit em 31 de dezembro, pode reativar a atividade de grupos paramilitares na Irlanda do Norte, alerta um relatório publicado nesta terça-feira.

Uma comissão independente criada em conjunto pelos governos britânico e irlandês em 2016 sublinha em seu relatório anual que o Brexit tem "o potencial de complicar significativamente a atividade paramilitar" na Irlanda do Norte.

E ressalta um "aumento das tensões" à medida que se aproxima o fim do período de transição, quando o Reino Unido embarcará sozinho em um novo capítulo após quase 50 anos na UE.

Um dos pontos mais difíceis do Brexit é como evitar a reinstalação de uma fronteira na ilha da Irlanda que põe em risco a frágil paz alcançada em 1998 após 30 anos de violência entre católicos republicanos, unionistas protestantes e o exército britânico, que deixou 3.500 mortos.

De acordo com esta comissão, os grupos paramilitares “continuam a ser uma realidade da vida na Irlanda do Norte em 2020” e ainda têm milhares de membros.

Em abril de 2019, a jornalista Lyra McKee foi baleada e morta durante confrontos em Londonderry entre o grupo dissidente Novo IRA e a polícia.

O acordo de divórcio entre Londres e Bruxelas inclui disposições destinadas a evitar essa fronteira, mas o governo de Boris Johnson está tramitando a aprovação parlamentar de uma lei que revogaria unilateralmente algumas dessas disposições.

Para tentar evitar isso, Bruxelas lançou um processo legal enquanto continua a negociar com Londres o acordo de livre comércio que deve reger suas relações bilaterais a partir de 1º de janeiro.

Mas as negociações encontram obstáculos há meses e, já tendo ultrapassado todos os prazos fixados por ambas as partes, os contatos continuam intensamente com o pouco tempo que resta.

Em outubro, um comitê parlamentar britânico alertou que qualquer infraestrutura instalada na fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte após o Brexit criaria um risco de violência por ser um "alvo" de ataques e um argumento para recrutamento pelo republicanos dissidentes.

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