BRF: Molina, da Marfrig, aumenta ofensiva por participação na dona da Sadia e Perdigão

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RIO - Depois de ter anunciado a compra de 24,23% do capital da BRF e se tornado a maior acionista da companhia, a Marfrig parece estar aumentando sua cota nos papéis da dona da Sadia e Perdigão, por meio de leilão na B3. O objetivo, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, é ampliar sua participação para 30%. Para analistas, o movimento aparentemente agressivo da Marfrig pode na verdade indicar uma tentativa de concluir a fusão que havia sido ensaiada em 2019, mas acabou não ocorrendo.

A notícia agitou o mercado, pois se aproxima do do limite de 33,33% em que a companhia teria para fazer uma oferta pública de aquisição de ações (OPA, na sigla em inglês), de acordo com o estatuto social da BRF. Essa cláusula é chamada de poison pill (ou pílula venenosa, em tradução livre).

— A poison pill existe como uma forma de proteger o controlador da empresa, dando a oportunidade de os acionistas e o controlador venderem sua parte na companhia, em caso de movimentações hostis, em que um único comprador adquire uma fatia grande das ações — explica Leonardo Alencar, analista de agro, alimentos e bebidas da XP.

Segundo ele, o mercado não entende que esse movimento seria interessante neste momento para a Marfrig, que hoje é menor do que a BRF. Para Alencar, o movimento do frigorífico é entendido mais como uma tentativa de chamar a atenção da dona da Sadia para uma fusão.

— A compra de um player maior pode sair cara para a Marfrig. Mas uma participação de 30% talvez viabilize uma conversa com a BRF em outros termos, no sentido de traçar os caminhos para uma fusão.

A Marfrig tem cerca de R$ 12,7 bilhões de valor de mercado, enquanto a BRF tem R$ 22,7 bilhões.

Nesta quarta-feira, a BRF rspondeu a um ofício da B3 que questionava negociações atípicas de valores imobiliários. Só na terça-feira foram movimentados R$ 1,2 bilhões em ações da companhia.

"A este respeito, a Companhia esclarece que não tem conhecimento de qualquer fato ou informação não pública que possa justificar as oscilações, mencionadas no Ofício, com relação à cotação e ao volume de negociação das ações de sua emissão", diz a BRF por meio do comunicado.

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