Briga com Rui Costa aumenta lista de governadores inimigos de Bolsonaro

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    38.º presidente do Brasil

RIO — A tragédia causada pelas fortes chuvas no interior da Bahia e a ações necessárias de reconstrução dos municípios afetados voltaram a expor as divergências entre as gestões estaduais e o governo federal em momentos de divisão de responsabilidades entre os entes da Federação. Ontem, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), criticou o presidente Jair Bolsonaro, que passa férias em Santa Catarina. Sem citar nominalmente o chefe do Executivo federal, Costa disse que “governar é cuidar de gente" e que "não há como fazer isso longe das pessoas”.

Em meio aos trabalhos para resgatar sobreviventes e desabrigados por causa dos temporais na Bahia, Rui Costa reclamou ainda da liberação de R$ 80 milhões do governo federal para as ações de reconstrução. "Com R $ 80 milhões não dá para recuperar da Bahia, pelo estrago que tem. Tem vários rompimentos", disse ele ao lado de ministros de Bolsonaro.

As discordâncias e crises entre governadores e o presidente Jair Bolsonaro (PL) se arrastam desde o início do mandato em temas que vão desde a vacinação contra a Covid-19 ao preço da gasolina.

Bolsonaro tem sido criticado por aproveitar férias em São Francisco do Sul, em Santa Catarina, enquanto autoridades baianas já somam 21 mortes e ao menos 471 mil pessoas afetadas. No início de dezembro, quando as chuvas já causavam estragos, o presidente sobrevoou as cidades mais afetadas e usou a tragédia para atacar o isolamento social por conta da pandemia de Covid-19. Em resposta, Costa rebateu Bolsonaro: "Não tenho tempo para politicagem barata".

Os desentendimentos se acirraram com a crise do novo coronavírus, que escancarou a falta de sintonia entre o governo Bolsonaro e governadores do país. O início do ano foi marcado por troca de acusações públicas entre o presidente e o então chefe do Executivo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Irritado com medidas restritivas impostas por governadores, como o fechamento de fronteiras interestaduais, Bolsonaro acusou os antigos aliados de usurpar suas competências, tese rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu pela concorrência entre os entes no tema.

Além de ex-aliados, Bolsonaro focou críticas contra governadores de oposição. Em abril, criticou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) por, segundo ele, mal uso de verbas da União destinadas ao Estado. O presidente argumenta que o governo federal enviou dinheiro para os estados e que os chefes estaduais desviaram os recursos.

O presidente teceu inúmeras críticas contra Doria e a produção da CoronaVac, as medidas de isolamento social e, mais recentemente, a exigência do passaporte vacinal para entrada em ambientes públicos e privados.

Outro tema que gerou críticas de Bolsonaro e uma tentativa de construção de narrativa contra os estados foram os aumentos sucessivos no preço da gasolina e do diesel. O presidente e seus aliados atribuem ao ICMS, imposto cobrado pelos estados, como o responsável pelo aumento no preço dos combustíveis.

Os chefes dos Executivos estaduais rebateram. Em uma carta assinada por 20 governadores, eles desmentem as acusações do presidente e afirmam que, nos últimos 12 meses, o preço da gasolina registrou um aumento superior a 40%, “embora nenhum estado tenha aumentado o ICMS incidente sobre os combustíveis ao longo desse período”.

A carta crítica a Bolsonaro foi assinada por governadores de diferentes partidos, como: Flávio Dino (PSB-MA), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Rui Costa (PT-BA), Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Ibaneis Rocha (MDB-DF).

Comentário homofóbico

As definições para a campanha eleitoral do ano que vem aumentaram o clima de disputa entre Bolsonaro e os governadores. Em mais um ataque, o presidente apontou para um salame e disse que seria “do governador” do Estado, Eduardo Leite (PSDB), durante visita a uma feira agropecuária no Rio Grande do Sul. O comentário foi feito menos de um mês após Leite expor sua sexualidade e em meio aos preparativos das prévias do partido.

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