Briga por linguagem neutra e militância marcam estreia de "A Fazenda 14"

"A Fazenda 14" estreou com briga de Bruno e Alex (Foto: Reprodução/RecordTV)
"A Fazenda 14" estreou com briga de Bruno e Alex (Foto: Reprodução/RecordTV)

Após uma pré-estreia movimentada, "A Fazenda 14" começou, oficialmente, nesta terça-feira (13). Com tantas picuinhas, o reality passou a sensação de estar há um mês no ar. O episódio contou com várias provas e dinâmicas, mas o ponto alto da noite foi uma treta entre Alex Gallete e Bruno Tálamo. A discussão envolveu militância, pronome neutro e outros temas polêmicos que renderam debates no reality e nas redes sociais.

Tudo começou com uma prova que exigia atenção e reflexo dos competidores para definir quem participará da primeira Prova do Fazendeiro. Cada participante desafiava outro a ser mais rápido ao pegar um bastão lançado em uma mesa. No final da atividade, Pétala Barreiros se incomodou com Shayan, que a escolheu no desafio. A moça afirmou que foi machucada pelo iraniano e Deolane criticou o fato dele ter escolhido uma mulher para a disputa. Vini Buttel observou certa "hipocrisia", já que o participante havia sugerido escolher apenas homens para a baia com a intenção de "proteger" as mulheres.

A discussão se estendeu e acabou virando uma briga generalizada na cozinha. Alex Gallete afirmou que todos são iguais e deveriam parar com aquela briga de homem x mulher. "Aqui é um jogo. Aqui somos todes. Não dá para falar todos ou todas. Somos todes. Se a gente pegar por orientação sexual ou por ser homem ou mulher...", disparou.

Mais tarde, durante a atividade exibida na pré-estreia, Bruno Tálamo foi questionado sobre quem será seu rival no jogo. O repórter, então, apontou Alex sob a justificativa da "militância excessiva". Ele se incomodou com o uso do termo "todes" na treta que rolou durante o dia. Os dois discutiram e Alex o acusou de "invadir sua vivência".

Nas redes sociais, alguns internautas deram razão para Bruno Tálamo, criticaram o uso da linguagem neutra e afirmaram que Alex exagerou quando falou sobre "invadir sua vivência". Outros entenderam que o influenciador digital apenas usou uma expressão que faz parte do seu vocabulário para, na verdade, acabar com uma briga sobre "militância" (no caso, a discussão sobre provas entre homens e mulheres).

Linguagem neutra

Todes, amigues, namorades, elu.... Você já deve ter se deparado com algumas dessas palavras e não entendido muito bem para que serve. Essa grafia diferente faz parte da linguagem neutra: uma luta constante dos movimentos LGBTQIA+ para tornar a língua portuguesa mais inclusiva.

Nosso idioma, como todas as línguas latinas, usa marcadores de gêneros, que alteram a escrita de substantivos, adjetivos, artigos e pronomes dependendo do gênero presente na frase. O problema é que isso acaba excluindo pessoas não-binárias, que não se identificam nem com o gênero masculino, nem feminino.

Além disso, pela norma culta da língua portuguesa, quando nos referimos a algo no plural, ou a um grupo de pessoas, usamos o gênero masculino, o que acaba excluindo também as mulheres. O uso da linguagem neutra ainda se limita às redes sociais e parece estar longe de ser incorporada ao nosso dicionário. No entanto, os idiomas estão sempre passando por mudanças e adaptações.