Brincadeira de criança? Nada! Aviãozinho de papel tem mundial com brasileiros na parada

Etapa do Red Bull Paper Wings no Rio de Janeiro em abril de 2022 (Foto: CARL DE SOUZA/AFP via Getty Images)
Etapa do Red Bull Paper Wings no Rio de Janeiro em abril de 2022 (Foto: CARL DE SOUZA/AFP via Getty Images)

Que tal lembrar-se de sua infância: participando da peculiar brincadeira de criança. Nem todos imaginariam que ela estimulava a criatividade e traria como benefício a melhora da coordenação motora. Era só bagunça. Sua origem atribui-se à China ou ao Japão. Só que hoje também envolve “gente grande”. Tratam-se dos aviõezinhos de papel e um campeonato regular.

Conceitos de aerodinâmica observados por engenheiros especializados descrevem até o aprendizado nestas atividades manuais. Alerta a importância da técnica da dobradura de papel que deve tornar as asas longas e firmes. Formato que permite ao objeto projeção distante e com altura.

Leia também:

Ora, falar em aviação quer dizer resgatar o pai do inventor, o engenheiro e cientista brasileiro Santos Dumont. Ele registrou na história o voo do 14-bis em 1906 na França. Polêmica à parte, os inventores do avião foram os irmãos norte-americanos Wright.

No entanto, como o mundo dá voltas revivendo suas criações, o avião de papel alça novas jornadas pelos ares do globo e no presente ressurge com competição mundial. Na verdade, ela já está na sexta edição, é o Red Bull Paper Wings, cujas finais foram disputadas em maio no Hangar-7 em Salzburgo, na Áustria.

Ao todo, 171 estudantes de 57 países se submeteram a várias fases e três brasileiros do Paraná foram destaque em 20 classificatórias entre 2500 inscritos no território nacional. Pelo mundo foram disputadas 500 qualificatórias com a chancela da Paper Aircraft Association. Todo esforço foi pouco para estar entre os finalistas. Até participar da decisão nas categorias Maior Tempo de Voo, Maior Distância e Acrobacias.

Os representantes brazucas foram Isaac Queiroz, de 19 anos, estudante de Nutrição na Unifil; Pedro Capriotti, 19 anos, graduando de engenharia elétrica na Universidade Federal do Paraná e a representante feminina: Nicole Straub, de 20 anos, estudante de negócios digitais na FAE. O Brasil já teve sucesso no torneio com dois campeões mundiais. Em 2006, com Diniz Nunes, já em 2009 levou o torneio Leonardo Ang, ambos na categoria Maior Tempo de Voo. A última edição do evento aconteceu antes da pandemia, em 2019, quando o brazuca Heitor Souza foi sétimo no ranking mundial.

Categorias

Na categoria Maior distância, o vencedor é aquele cujo aviãozinho alcança o percurso mais longo. Já no Maior tempo de voo, leva o título quem manter o avião por mais tempo no ar antes de tocar o solo. Isaac obteve índice de 40,3 metros e Pedro 7,61 segundos em suas respectivas categorias. Marcas anteriores à finalíssima.

A novidade deste ano foi a categoria Acrobacia (novo formato) cuja decisão foi 100% on-line. Neste caso, o piloto precisa publicar um vídeo de 30 segundos no aplicativo TikTok marcando com hashtags e abusando da criatividade. Os juízes observam desempenho do voo, criação do vídeo, detalhe no layout e design além do engajamento na rede social.

Campeão e mágico

O sérvio Lazar Krstic foi campeão com seu último lançamento na prova Maior Distância atingindo 61,1 metros. Ele obteve a segunda colocação em 2019. Já o paquistanês Muhmaad Usman Saeed levou na Maior Tempo de Voo, com 14,86 segundos. E na Acrobacia foi a vez do sul-coreano Seunghoon vestir smoking e propor coreografia como um mágico. Ele dá aula de ciências em seu país e ensina sobre avião de papel. Empolgado, pediu a namorada em casamento.

Vontade de retornar

Nicole, Isaac e Pedro tornaram-se amigos na viagem e pretendem retornar numa próxima edição. Adquiriram experiência na disputa. Em meio ao embarque de volta pra casa, a estudante concedeu entrevista em fuso horário diferenciado após o término do evento. Na classificatória nacional, Nicole fez uma apresentação baseada na ginasta Rebeca Andrade. Já na competição a performance adotada era a cantora de preferência.

Yahoo Esportes – Como foi que teve o primeiro contato com avião de papel?

Nicole Straub – Foi na escola com meus amigos. Mas a melhor história mesmo fica por conta de ser trazida por um aviãozinho de papel à competição (analogia a estar num evento do porte mundial como o Red Bull Paper Wings).

Além de estudar você também influencia nas redes sociais?

Faço duas graduações: Negócios Digitais e Administração. Gosto de criar conteúdo digital com foco na rede Tik Tok. Além disso, enquanto não concluo os cursos tenho buscado colocação como estagiária em startup.

Como você vê a repercussão do torneio de aviõezinhos de papel?

Acho que é fato importante mostrar ou permitir apresentar habilidades além daquelas que são ensinadas tradicionalmente

Quais são seus objetivos em relação às competições futuras?

Elas acontecem de três em três anos. Com toda certeza espero estar de novo. Não sei como. Para mim, foi uma experiência surreal

Sobre ídolos no esporte ou no Brasil, você citaria algum que curte?

Gosto das cantoras Anitta, Luísa Sonsa e Manu Gavassi. Esta última paulistana esteve entre suas escolhidas para performance no evento com a música. Bossa Nova. [A estudante, que também praticou ginástica rítmica na infância] usa bastante criatividade para engajamento nas redes sociais trazendo até como incentivo o cão de estimação Louis (spitz alemão).

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos