Britânica narra batalha do filho de 2 anos com sintomas da doença de Kawasaki associada ao coronavírus

Depois que a imprensa britânica divulgou o alerta de que uma síndrome inflamatória grave relacionada ao coronavírus, com características da doença de Kawasaki, pode estar surgindo em crianças, vários casos chegaram aos jornais do Reino Unido. Um deles foi o do filho de Gemma Brown, levado às pressas para o Hospital Real de Worcestershire mês passado, em seu aniversário de 2 anos.

Ela contou ao "Mail Online" que Bertie teve febre acima de 40°C e erupções cutâneas que ele apresentava começaram a escurecer. Os médicos ficaram inicialmente perplexos, mas um deles acabou diagnosticando o garoto com a rara doença de Kawasaki, um tipo de síndrome do choque tóxico que causa inflamação nas paredes dos vasos sanguíneos e faz com que o sistema imunológico do corpo ataque seus próprios órgãos.

 

 

Mas Bertie não foi testado para Covid-19, deixando a dúvida sobre um possível vínculo entre a doença de Kawasaki e o coronavírus. "Pedi que ele fosse testado, pois tinha a sensação de que havia uma conexão. Ambos atacam o sistema imunológico e toda a família estava com sintomas fracos de Covid-19 antes de Bertie adoecer", disse Gemma, mãe também de um garoto de 14 anos: "Mas eles me disseram que não havia necessidade de testar os menores de 5 anos. Não sei como o governo vai provar que existe um elo se não estiver testando pacientes".

Nesta segunda-feira, médicos britânicos emitiram um alerta sobre o aumento acentuado no número de crianças internadas em terapia intensiva em todo o Reino Unido com uma perigosa síndrome inflamatória não identificada, que se acredita estar ligada ao coronavírus, nas últimas três semanas. Esses casos estão ocorrendo quando alguém com doença de Kawasaki contrai o coronavírus e isso produz complicações, disse ao "The Guardian" uma fonte do NHS, o sistema púbico de saúde britânico.

 

 

 

Bertie recebeu transfusão de imunoglobina e ficou internado por cinco dias. "Foi horrível vê-lo assim", afirmou Gemma ao "Mail Online": "Ele não teve nenhum problema respiratório, mas foi internado sozinho em uma enfermaria e era com certza a criança em piores condições no hospital. As lesões começaram a coçar, deixando ele agoniado. A temperatura dele estava perigosamente alta, e os médicos o monitoravam o tempo todo".

O menino, que nasceu prematuro, sempre teve um sistema imunológico fraco, tornando-o suscetível a vírus. "Graças a Deus ele está bem agora e chegou em casa, embora ainda esteja tomando aspirina para prevenir coágulos no sangue. Ele está muito melhor. Mas o fato é que simplesmente não sabemos o que está acontecendo, pois ele não foi testado para o coronavírus", reclama Gemma.

 

 

 

Segundo o "Mail Online", as autoridades de saúde nesta terça-feira insistiram que "desconhecem" qualquer morte de criança britânica devido à síndrome inflamatória, embora o secretário de Estado da Saúde e Assistência Social, Matt Hancock, admita que "alguns" jovens morreram misteriosamente sem motivo aparente.

Eles se recusaram a dizer quantas crianças britânicas foram afetadas pela doença, mas o jornal diz que até 20 foram hospitalizadas, a maioria com menos de 5 anos. Uma delas precisou de tratamento de terapia intensiva, depois que seu coração e pulmões começaram a falhar.