BRT: 'Vejo uma tentativa clara de pressionar a administração', diz Paes

André Coelho
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Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

O prefeito do Rio Eduardo Paes voltou a levantar a possibilidade de que a paralisação dos serviços do BRT, desde o início da manhã desta segunda-feira, tenha a participação dos empresários que controlam o sistema, movimento conhecido como "locaute". Segundo o prefeito, o movimento começou a ser detectado durante o fim de semana, mas o próprio consórcio que opera o serviço negou que houvesse risco de paralisação dos serviços, como acabou acontecendo.

— A gente vive uma situação emergencial. Nós começamos a identificar esse movimento de greve no final de semana. Buscamos o consórcio BRT, que nos garantiu que não havia qualquer movimento, inclusive eles afirmam que têm um acordo com o sindicato, e eu quero crer, espero, que isso não seja o que a gente costuma chamar de locaute, que é uma combinação entre patrão e empregado para pressionar o Poder Público — afirmou.

De acordo com ele, a prefeitura buscou, ainda no domingo, o apoio das empresas de ônibus regulares para que aumentassem a oferta de veículos, mas não conseguiu que elas colocassem uma frota maior em circulação, como desejado:

— A gente buscou o serviço de ônibus normal, mas na verdade eles todos são uma cosa só. Então não tivemos muita resposta. Eu vejo, quero crer que não seja verdade, mas vejo uma tentativa clara de pressionar a administração pública. Mas não vão ser bem sucedidos.

O prefeito e a secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, se reúnem na tarde desta segunda-feira, às 17h, com as concessionárias de transporte rodoviário do município. Segundo Paes, a prefeitura conhece os problemas do setor, mas a concessão de subsídios ou apoio financeiro às empresas ainda não está nos planos.

— A gente viu que esse sistema foi destruído nos últimos quatro anos e vínhamos ja fazendo tratativas para tentar uma solução para o problema. Agora, não é uma solução simples — afirmou. — A gente vai tomar as decisões dentro da lei. Eventualmente há necessidade sim de uma ajuda, mas só vai ser feito com muita transparência — garantiu.

Paes lembrou que as empresas anunciaram que vão entrar com uma ação na Justiça do Trabalho para declarar a ilegalidade da greve, o que pode obrigar o retorno de pelo menos 30% do serviço, e voltou a fazer um apelo aos motoristas:

— É um serviço essencial, a população precisa se deslocar pela cidade.

Em nota, o BRT informou que a paralisação ocorre porque motoristas impediram a saída os ônibus das garagens:

"O BRT Rio informa que os serviços nos seus três corredores (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica) foram interrompidos nesta manhã, devido à paralisação das atividades de alguns motoristas que impediram a saída dos ônibus das garagens. Embora a operação estivesse pronta para iniciar às 4h, o movimento acarretou irregularidades nos intervalos, inviabilizando a operação em todo o sistema".

O consórcio Rio Ônibus, que representa as empresas de transporte rodoviário da cidade, afirmou, também em nota, que lamenta a paralisação e teme que o movimento se estenda por todo o setor. Segundo o consórcio, desde o início do ano passado o Poder Público vem sendo alertado sobre o colapso financeiro das empresas.

“Congelamento da tarifa há dois anos, a expansão do transporte clandestino, a concessão de gratuidades sem fonte de custeio, a falta de regulamentação sobre o transporte por aplicativos são algumas das razões que levaram o setor a essa situação, além dos impactos da pandemia.

E, infelizmente, não houve até o momento qualquer ajuda do poder público municipal, estadual ou federal para apoiar um setor que transporta mais de 70% da população do Município do Rio”, diz a nota.