Brumadinho: com 65 mortos e 279 desaparecidos, chance de sobreviventes diminui

Bombeiros e voluntários realizam trabalhos de resgate em Brumadinho (MG) (Flávio Tavares/Hoje em Dia/Futura Press)

A Defesa Civil de Minas Gerais informou, na noite desta segunda-feira (28), que o número de mortos em Brumadinho (MG) subiu para 65 pessoas e o de desaparecidos passou a ser de 279. A tragédia, provocada pelo rompimento de uma barragem da mineradora Vale, ocorreu na última sexta-feira (25).

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No quarto dia de buscas nenhuma vítima foi encontrada com vida pelos bombeiros, que contaram com o auxílio de voluntários e do reforço de militares israelenses, que chegaram em Minas Gerais no domingo. Até o momento foram 192 pessoas resgatadas e 386 localizadas.

Para o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o tenente Pedro Aihara, o balanço de vítimas fatais pode aumentar nos próximos boletins.

“As chances (de encontrar sobreviventes) são muito pequenas considerando o tipo de tragédia, que envolve lama”, disse o tenente.

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As buscas continuam nesta terça-feira, cinco dias após a tragédia.

A Vale, pressionada judicial e economicamente, disponibilizou centros de atendimento para os familiares das vítimas e anunciou o pagamento de R$ 100 mil para cada família atingida. À tarde, a Justiça do Trabalho determinou um novo bloqueio de contas da empresa, desta vez no valor de R$ 800 milhões, para garantir as indenizações trabalhistas.

Na manhã de hoje, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil do estado cumpriram dois mandados de prisão contra engenheiros que atestaram a segurança da barragem. A Polícia Federal também investiga se houve fraude nas documentações.


A tragédia

Uma barragem da mineradora Vale rompeu nesta sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. O rompimento foi na região do córrego do Feijão, na altura do km 50 da rodovia MG-040. Fotos enviadas por moradores da região aos Bombeiros mostram uma grande quantidade de lama atingindo casas.

Após o rompimento, enxurradas de resíduos de mineração e água atingiram casas, estruturas da empresa, incluindo um refeitório, e veículos, cobrindo-os em segundos. Entre as vítimas, estão moradores da região, funcionários da Vale e hóspedes de uma pousada localizada na área.

Uma nova sirene disparou na madrugada de domingo (27) alertando moradores da região que deixassem suas residências. Havia o risco de rompimento de uma segunda barragem. No entanto, horas depois, outro desastre foi descartado e eles puderam retornar às respectivas residências.

A barragem 1, que se rompeu, é uma estrutura de porte médio para a contenção de rejeitos e estava desativada. Seu risco era avaliado como baixo, mas o dano potencial em caso de acidente era alto.

Nesta segunda (28), os primeiros corpos começaram a ser enterrados. No cemitério Parque das Rosas, desde que a tragédia ocorreu, 98 covas foram abertas às pressas para comportar as vítimas fatais. (Com informações da AFP)