Repórter sofre assédio ao vivo e desabafa nas redes sociais

Bruna Dealtry é assediada por torcedor. Foto: Instagram/@brunadealtry

Por Guilherme Sacco (@guilhermesacco)

A repórter Bruna Dealtry, dos canais Esporte Interativo, foi mais uma vítima de assédio em estádios de futebol. A profissional estava cobrindo os arredores de São Januário antes da partida entre Vasco da Gama e Universidad de Chile, pela Libertadores, quando foi surpreendida por um homem que tentou beijá-la na boca.

Assim que o assédio do vascaíno, que saiu sorrindo e se afastou da repórter, aconteceu, Bruna demonstrou bastante desconforto e constrangimento e lamentou o ocorrido ao vivo. “Isso não precisava, né? Não foi legal”, desabafou a profissional. Na manhã desta quarta-feira, algumas horas após o episódio, Bruna utilizou o Instagram para desabafar.

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Com um vídeo do assédio, a profissional do Esporte Interativo aproveitou para dizer que sempre foi “uma repórter que adora festa de torcida” e que não se importa com banho de cerveja e torcedor pulando ou pisando no seu pé. Segundo Bruna, aquela emoção é importante para o desenvolvimento do seu trabalho, mas o ocorrido não faz parte da festa.

“Sempre me orgulhei por ter uma boa relação com todas as torcidas e por ser tratada com muito respeito! Mas ontem, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim”, desabafou a repórter.

Bruna também lembrou de tudo que passou para estar ali e lamentou o fato de que ser uma mulher no meio de uma torcida de futebol a transformou em um objeto para o agressor. A repórter finalizou o desabafo dizendo que seguirá fazendo seu trabalho de cabeça erguida e pedindo respeito para ela e todas as mulheres que trabalham no meio.

Em entrevista ao UOL Esporte, Bruna disse ter ficado desesperada após as câmeras terem sido desligadas. “Quando saí de frente da câmera, olhei em volta e tinha um monte de homem. Fui dando conta do que poderia acontecer comigo ali. Se um cara fez aquilo em frente a uma câmera, imagine com ela desligada. Ele não me respeitou em nenhum momento. Aquilo mexeu muito comigo, senti medo. Perdi um pouco da minha alegria”, comentou.

O episódio em São Januário aconteceu dois dias depois que Renata de Medeiros, repórter da Rádio Gaúcha, reagiu a insultos de um torcedor do Internacional e foi agredida no Beira-Rio durante o Gre-Nal deste final de semana.