Base, Bruno César e Guarín: esperanças para a criação do Vasco

Felippe Rocha


O baixo poder de fogo no ano até aqui dão nítida sensação. Os mapas de calor comprovam: faltou um meia no Vasco. Segue faltando. E com o fim do período de Abel Braga à frente do time, o início de trabalho de uma nova comissão técnica, um novo vice-presidente de futebol - José Luís Moreira - e tudo isso no período de paralisação forçada do futebol dá direções para o setor criativo do time cruz-maltino.

Uma investida ao mercado não está descartada, mas também não há negociação já dada como prioridade para o setor. Até porque o tempo para o retorno das atividades é imprevisível, diante da pandemia de COVID-19 e dinheiro é o que menos sobra em São Januário. O cenário, contudo, apresenta opções conhecidas da torcida. Uma até óbvia, mas Ramon Menezes alerta.

- Temos essa dificuldade, sim. O Benitez se aproxima, mas a melhor fase dele no Independiente (ARG) foi de extrema pela direita - avaliou o novo treinador, em entrevista ao canal "Atenção, Vascaínos", na noite desta segunda-feira. O comandante era questionado sobre os meias, e afirmou que Fredy Guarín, embora volante de origem pode vir a ser uma referência na função:

- O Guarín tem o cognitivo acima da média. Se vir o jogo de frente consegue colocar um atacante na cara do gol, é inteligente para jogar e chuta muito bem de fora da área. Quem sabe não pode jogar um pouquinho mais à frente? Isso tudo é sobre achar o melhor posicionamento dentro da ideia de jogo - finalizou.

A esperança do torcedor vascaíno em dias melhores, ano sim, ano também recai sobre um jovem formado ou em formação. Mas Lucas Santos, Gabriel Pec e Talles Magno, embora já tenham aparecido, em algum momento, como esperança, têm outras características.

- Talvez, dentro do grupo, o (Gabriel) Pec pudesse ser um "10", mas já ele tem uma dificuldade. O Lucas Santos poderia, mas tem dificuldade. Um joga, na base, pela direita, outro pela esquerda. O próprio Talles (Magno), hoje, tem muito mais facilidade de jogar pelos lados do que por dentro. Agora, esse jogador faz falta - admite Ramon, explicando que, no futebol mundial, a rotina de se formar jogadores talentosos como pontas, e não como meias, pode limitar a característica de tais atletas.

Mas existe também outra opção já existente no elenco. Esta, na verdade, o jogador contratado para ser a solução desta mesma carência ainda no ano passado: Bruno César, dos maiores salários do elenco, que decepcionou na temporada passada, e treina à parte desde as primeiras atividades da pré-temporada mais recente. As novidades citadas no início deste texto podem, de acordo com apuração do LANCE!, resultar em reintegração. E já nem é segredo.

- Não foi uma questão disciplinar, nem técnica. Ele nos ajudou em alguns jogos, como contra o Fluminense (vitória por 2 a 1 em São Januário), mas a mudança de comando permite que se faça reavaliações - sugeriu André Mazzuco, diretor executivo de futebol do time, em entrevista ao "Canal do Nicola", também na noite desta segunda-feira.

Por sua vez, Ramon foi ambíguo ao tentar não demonstrar desespero: valoriza as características que fizeram o sucesso do ex-meia do Sporting (POR), mas lembra que a insatisfação geral com ele se justifica.

- Sendo bem sincero, até já falei isso com ele: o Bruno César nunca fez o que se espera dele, mas será também que não tem aquilo de pegar na mão e explicar o posicionamento... ele tem essa característica de chutar muito bem de fora da área, tem potencial de botar atacante na cara do gol, de botar o extrema para concluir a jogada. É um jogador com essa característica de um 10 - exalta.