Estado de saúde de Bruno Covas causa apreensão no meio cultural

O prefeito de SP, Bruno Covas, durante entrevistas ao Yahoo Notícias (Reprodução)


Primeiro entrevistado do programa Vozes da Nova Política, do Yahoo Notícias, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), de 39 anos, deu início nesta semana ao tratamento contra um tumor recém-descoberto na transição entre o esôfago e o estômago, com pequenas lesões no fígado e nos gânglios linfáticos.

Ele já anunciou que ficará no cargo durante o tratamento.

Além da comoção natural, a notícia sobre seu estado de saúde causou apreensão a quem vê em sua gestão uma espécie de “oásis” em tempos de obscurantismo, sobretudo a classe artística, retratada como inimiga Brasil afora. Especialmente pelo governo federal.

Em janeiro, Covas nomeou Alê Youssef para a secretaria de Cultura. E Youssef planeja fazer, no começo de 2020, uma série de iniciativas que ele classifica como parte de uma luta em defesa da liberdade de expressão.

Uma dessas iniciativas é o festival Verão Sem Censura em São Paulo, que acolherá todas as peças de teatro que sofreram algum tipo de censura no país.

Em outubro, a peça “Res Publica 2023”, recentemente vetada pela Funarte, se apresentou no CCSP (Centro Cultural São Paulo) a convite da prefeitura.

Na entrevista ao Yahoo Notícias, Covas acusou Jair Bolsonaro de dialogar apenas com seus eleitores, chamou de preconceituosas as declarações do capitão sobre nordestinos e ironizou as preocupações do governo com temas menores, como a tomada de três pinos, os pontos na carteira e o filme da Bruna Surfistinha. Ele deixou claro que reivindicava um lugar ao centro para o PSDB.

Para o ator, diretor e dramaturgo Ivam Cabral, cofundador da Cia. de Teatro Os Satyros, uma possível saída de Bruno Covas da prefeitura pode ser perigosa. “Estamos numa onda conservadora grande e o prefeito, em muitos aspectos, dialogou com progressistas, especialmente no terreno da cultura”.

Ele vê como um acerto a escolha de Youssef para a pasta e diz que a gestão atual “tem pensado em minorias e na multiplicidade da arte, onde ela deve ser trabalhada, e tem feito um belo trabalho”.

Segundo ele, “apesar de todas as críticas que a gente possa ter com o PSDB, o partido tem cuidado da cultura, inclusive no estado, com o (secretário da Cultura) Sá Leitão”.

“São Paulo ainda é um pequeno reduto e não tem sido assim no resto do país. Poucos estados se preocupam com a cultura.”

A hora, segundo Cabral, é de abraçar os projetos que ainda defendem o marco civilizatório.

“É uma pena que a gente possa perder esse trajeto”, diz Cabral ao blog.

Na última terça-feira, 29, Bruno Covas foi submetido à primeira sessão de quimioterapia no Hospital Sírio-Libanês. A ele desejamos toda força.