Bruno Gagliasso sobre 'complexo de salvador branco': 'Parei para analisar se sou essa pessoa'

Maria Fortuna
Bruno Gagliasso na biblioteca de sua casa, no Itanhangá

RIO — Bonito, bem-sucedido e pai de família, Bruno Gagliasso tornou-se queridinho de campanhas publicitárias e publiposts nas redes sociais, onde contabiliza 25,6 milhões de seguidores. Atualmente, é garoto propaganda de oito marcas. Agora, ele, que também é dono de pousadas em Fernando de Noronha e de restaurantes, usa a boa relação com grandes empresas para fazer alguma diferença na luta contra o coronavírus. Conseguiu que um banco doasse R$ 1 milhão à Cufa e R$ 100 mil à Unicef.

Em lives, arrecadou outros R$ 60 mil para o Instituto Vida Livre, de animais silvestres. Nesta entrevista, o ator, que está em longas inéditos da Globofilmes (“Marighella” e “Loop”) e integrará o elenco de duas séries da Netflix, diz que essa articulação tem sido “o alimento” de sua quarentena. Fala ainda da preocupação em ter um filho branco. Bruno e sua companheira, a apresentadora Giovanna Ewbank, já são pais de Titi, de 6 anos, e Bless, de 5, que adotaram em viagens à África, e esperam o primeiro bebê biológico para julho.

— É menino, e Bless batizou de “power range verde”— brinca ele, que explica aqui porque não veste a carapuça quando o assunto é o complexo de branco salvador. - Quando começaram a levantar essa questão, parei para analisar se sou essa pessoa, o branco salvador, se eu faço isso. A minha relação com o continente africano não começou comigo e minha mulher fazendo caridade lá. Conheci minha filha no Malawi, daí o meu interesse em conhecer o país. Pelo que leio e aprendo, a discussão sobre branco salvador é sobre métodos, intenções e objetivos. Meu lugar nessa discussão é de escuta e aprendizado para não reproduzir isso.

Nesta entrevista, ele conta que apresenta diariamente líderes negros como referência para os filhos e que tem consciência de que a conversa com a criança que vem aí terá que ser outra ("ele já nasce privilegiado, branco, de olho claro"). O ator também fala sobre a quarentena ao lado de Giovanna ("ela fez até sorvete de doce de leite, o que prova que, quando agente quer, faz acontecer") e de Titi e Bless ("fiz um clubinho de leitura com uma caixa de papelão, que pintei e botei luzinhas, eles adoram entrar para ler"). Conta ainda que sua maior dificuldade tem sido os deveres das crianças ("tem momento mais difícil do que a lição da escola?") e que acredita num mundo melhor pós-Covid-19.

- Quero acreditar que essa pandemia está ressignficando nossos valores. Quem sabe nosso filho que está vindo aí possa partilhar com os irmãos um mundo mais igual, em que o afeto e o amor não sejam piegas?

Leia a entrevista completa aqui.