Bruno Pereira e Dom Phillips: o que falta esclarecer sobre o crime no Vale do Javari, no AM

A força-tarefa criada para investigar o desaparecimento do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips encontrou dois corpos nesta quarta-feira. Os restos mortais foram localizados após Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, ter confessado a participação no assassinato das duas vítimas.

Bruno Pereira e Dom Phillips: PF encontra corpos em área de busca no Vale do Javari após suspeito confessar crime

Local de difícil acesso: PF fez reconstituição de mortes de indigenista e jornalista inglês, e achou corpos a 3 km da margem do rio

Em entrevista coletiva realizada em Manaus, o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, também relatou que houve um "embate" com "disparo de arma de fogo". No entanto, afirmou que apenas uma perícia poderá concluir a causa da morte das vítimas.

Saiba o que falta esclarecer do crime

Quem participou do assassinato de Bruno e Dom?

Pelado está preso desde o dia 7 de maio. Na noite desta terça-feira, ele decidiu "voluntariamente" admitir a "prática criminosa", conforme relatou o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, em entrevista coletiva realizada em Manaus.

Investigações continuam: PF diz que novas prisões devem acontecer a qualquer instante em caso de mortes de indigenista e jornalista inglês

De acordo com o delegado, Pelado se comprometeu a levar as equipes de investigadores ao local onde os corpos estavam ocultados. Os restos mortais foram encontrados em um igapó a 3 km de distância da margem do rio Itaquaí, em local de "dificílimo acesso".

Além de Pelado, o irmão dele, Oseney da Costa de Oliveira, também está preso por participação no crime. Mas os investigadores não mencionaram Oseney na entrevista coletiva desta quarta-feira e não esclareceram de que forma ele colaborou com os assassinatos.

O GLOBO também apurou que Pelado, em depoimento, apontou a participação de uma terceira pessoa no crime. Na coletiva, Fontes informou apenas que "pode haver" um terceiro suspeito.

Como Bruno e Dom foram assassinados?

Pelado foi levado ao local onde os corpos das vítimas foram ocultados, nesta quarta-feira. Trata-se de um igapó situado a 3 km de distância da margem do rio Itaquaí. Uma reconstituição do crime foi realizada pelos investigadores, na presença do principal suspeito.

Polícia Federal: Suspeito mostrou locais onde corpos estavam enterrados e embarcação foi naufragada

Na coletiva, Fontes afirmou que Pelado colaborou com a reconstituição do crime. Mas o delegado deu poucos detalhes. Na entrevista, ele se limitou a dizer que houve um "embate" com "disparo de arma de fogo". E acrescentou que apenas uma perícia poderá esclarecer a real causa da morte das vítimas.

Toda a dinâmica do crime ainda precisa ser elucidada. Testemunhas relataram ter visto Pelado e outros suspeitos perseguindo a lancha usada por Pereira e Phillips. Há a confirmação de uso de arma de fogo, mas não se sabe ainda quantos tiros foram disparados e se as duas vítimas morreram baleadas.

De acordo com o delegado, os corpos das vítimas foram enterrados no dia seguinte às mortes, quando os suspeitos voltaram ao local. No dia do duplo homicídio, os criminosos apenas afundaram a embarcação que Pereira e Phillips navegavam.

Quem mandou matar Bruno e Dom?

A PF não informou como o assassinato do indigenista e do jornalista inglês foi planejado. Apesar de Pelado ter assumido participação no crime, não ficou esclarecido se há um mandante.

Dom Phillips: Apaixonado pelo Brasil, jornalista inglês assassinado no AM foi morto na floresta que queria salvar

Pereira sofria ameaças de pescadores ilegais da região. O GLOBO teve acesso a uma carta enviada à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) na qual a vítima e Beto Marubo, membro da entidade, são ameaçados de morte.

"Sei que quem é contra nós é o Beto Índio e Bruno da Funai, quem manda os índios irem para área prender nossos motores e tomar nosso peixe. Só vou avisar dessa vez, que se continuar desse jeito, vai ser pior para vocês. Melhor se aprontarem. Tá avisado", diz trecho da carta, deixada embaixo da porta do escritório de Eliésio Marubo, advogado da Univaja, em Tabatinga.

Dois meses antes do crime, Pereira denunciou uma organização criminosa que atua na pesca e caça ilegal no Vale do Javari. O indigenista fez um mapeamento da área para as autoridades, inclusive com indicação do local e de fotos dos envolvidos com a quadrilha. Entre eles, estavam Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, e o irmão dele, Oseney da Costa Oliveira.

Bruno Pereira: Maior indigenista de sua geração falava quatro línguas do Javari

Ligação com outros crimes

Os investigadores não informaram se a morte de Pereira e Phillips têm conexão com outros assassinatos cometidos na região. Conforme o GLOBO informou, após a denúncia feita pelo indigenista, o Ministério Público Federal (MPF) requisitou a abertura de inquérito policial para investigar os relatos.

Pelado e Oseney figuravam como suspeitos na investigação aberta pelo delegado da PF, Ramon Santos Morais, e pela procuradora Aline Morais Martinez. Eles também fariam parte do mesmo grupo que matou outro servidor da Funai, Maxciel Pereira dos Santos, em 2019, na cidade de Tabatinga.

Maxciel foi assassinado com dois tiros na cabeça na frente de sua mulher, uma semana depois de participar de uma apreensão de mais de 1 tonelada de carne de pescados e caça. A suposta organização teria continuado com a prática ilegal três anos depois da morte do servidor. Até hoje ninguém foi preso ou acusado pelo assassinato.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos