Bruno Pereira e Dom Phillips: relembre dia-a-dia do desaparecimento

Bruno e Dom: desaparecimento de indigenista e jornalista britânico geram protestos. Foto: Agência Reuters.
Bruno e Dom: desaparecimento de indigenista e jornalista britânico geram protestos. Foto: Agência Reuters.
  • Desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips completam 10 dias;

  • Sumidos desde o dia 5 de junho: suspeitos foram presos, mochilas encontradas, pistas e declarações do presidente;

  • Indigenista e jornalista foram vistos pela última vez navegando pela Terra Indígena Vale Javari.

Nesta terça-feira (14), completam 10 dias do desaparecimento de Bruno Pereira, indigenista servidor da Funai, e do jornalista britânico Dom Phillips. Ambos viajavam pelo interior do Amazonas com destino a Atalaia do Norte para pesquisa e investigação jornalística. Desaparecidos desde o dia 5 de junho, entre rumores de corpos encontrados, pistas e declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre as buscas, veja o que se sabe:

Domingo, 05 de Junho

Bruno Pereira e Dom Phillips deixam a comunidade do Amazonas de São Rafael em uma embarcação com destino a Atalaia do Norte, em uma viagem que deveria durar 2h. Navegando pela Terra Indígena Vale Javari, eles conversaram com a esposa do líder comunitário Manoel Vitor Sabino da Costa, apelidado de Churrasco. Dom e Bruno viajavam com uma embarcação nova, de 40 cavalos e 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem. Depois desse encontro, ambos desapareceram.

Ainda não há
Ainda não há "indícios fortes de crimes" no desaparecimento do indigenista Bruno Pereira (à esq.) e do jornalista britânico Dom Phillips, segundo avaliação da Secretaria de Segurança do Amazonas. (Foto: Reprodução)

Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, foi visto em lancha atrás da embarcação do jornalista e do indigenista, no trajeto de rio que separa a cidade de Atalaia do Norte e a comunidade de São Rafael, no Amazonas, onde eles foram vistos pela última vez.

Segunda-feira, 06 de Junho

O desaparecimento é divulgado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), do qual Bruno faz parte como consultor. A esposa de Dom, Alessandra Sampaio, fez um apelo para que autoridades brasileiras tomassem ações urgentes para localizar o marido e o servidor da Funai.

Terça-feira, 07 de Junho

O presidente Jair Bolsonaro (PL) se pronuncia pela 1ª vez sobre o caso e chama a viagem dos pesquisadores de "aventura". "Realmente, 2 pessoas apenas no barco, numa região daquela (...) uma aventura que não é recomendável que se faça (...). A gente espera, e pede a Deus, que sejam encontrados brevemente. As Forças Armadas estão trabalhando com muito afinco na região.", declarou.

Quarta-feira, 08 de Junho

Após investigações, a polícia cumpriu a prisão temporária de Amarildo da Costa de Oliveira (41), conhecido como “Pelado”. Ele foi avistado seguindo a lancha dos desaparecidos e preso depois de ser encontrado com drogas e munição de uso restrito. “Pelado” foi apontado por uma testemunha ouvida pela agência Amazônia Real com a pessoa que ameaçou Bruno, Dom e mais nove indígenas da vigilância da Univaja após ser flagrado tentando invadir a terra indígena no início do mês de junho.

Quinta-feira, 9 de Junho

Vestígios de sangue são encontrados na lancha de Amarildo, suspeito do desaparecimento. As amostras de sangue na lancha foram analisadas em Manaus, capital do Amazonas. Ainda não se sabe se o sangue é humano ou de animais.

Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, contou ter sofrido ato de violência, supostamente praticado por autoridades policiais, durante audiência de custódia realizada em Atalaia do Norte. Na ocasião, ele relatou que policiais o agrediram, usaram uma sacola em sua cabeça para sufocá-lo e que chegou a desmaiar na lancha que o transportou à cidade.

Vestígios de sangue foram encontrados em embarcação durante as buscas. Foto: Agência Reuters.
Vestígios de sangue foram encontrados em embarcação durante as buscas. Foto: Agência Reuters.

Sexta-feira, 10 de Junho

A Univaja solicita apoio da Embaixada do Peru no Brasil para buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips, nas áreas de fronteira no território peruano próximas ao lugar do desaparecimento. Também na sexta, equipes que trabalham na localização de Bruno e Dom, relataram que encontraram um "material orgânico aparentemente humano", no rio, próximo ao porto de Atalaia do Norte. O material foi encaminhado para análise pericial pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF.

Sábado, 11 de Junho

O Corpo de Bombeiros descartou que a escavação encontrada às margens do Rio Itaquaí, onde Bruno e Dom Phillips foram vistos pela última, tenha relação com o sumiço da dupla, na Amazônia.

Domingo, 12 de Junho

O Corpo de Bombeiros do Amazonas encontrou uma mochila, um notebook e um par de sandálias na área de busca. Também foi achada uma lona no local.

A PF confirma ter encontrado cartão com nome de Bruno Pereira na área. "Na região onde se concentraram as buscas foram encontrados objetos pessoais pertencentes aos desaparecidos, sendo 1 (um) cartão de saúde em nome do Sr. Bruno Pereira, 1 (um) calça preta pertencente ao Sr. Bruno Pereira, 1 (um) chinelo preto pertencente ao Sr. Bruno Pereira, 1 (um) par de botas pertencente ao Sr. Bruno Pereira, 1 (um) par de botas pertencente ao Sr. Dom Phillips e 1 (uma) mochila pertencente ao Sr. Dom Phillips contendo roupas pessoais.", diz a nota da PF. A mochila estava amarrada em uma árvore, em área de igapó, terreno de mata alagada.

A Univaja informou, em nota, que foi encontrada uma possível nova embarcação de Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, suspeito de envolvimento no desaparecimento da dupla. Um local por onde vestígios indicam que um barco pode ter sido arrastado também foi identificado e isolado para análise.

Em entrevista ao Fantástico, a esposa de Bruno declarou esperança nas buscas. "Eu acredito que os dois podem sobreviver na floresta, sem comida, ou com os recursos que eles têm. Então, há algo dentro de mim que diz que ele pode estar perdido, que ele pode estar escondido", declarou Beatriz Matos.

Segunda-feira, 13 de Junho

Indígenas de Atalaia do Norte, município onde Bruno e Dom desapareceram, fizeram uma manifestação em apoio a lideranças da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). O ato também ocorreu em solidariedade às famílias dos desaparecidos.

Indígenas de Atalaia do Norte, município onde Bruno e Dom desapareceram, fizeram uma manifestação em apoio a lideranças da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). REUTERS/Bruno Kelly
Indígenas de Atalaia do Norte, município onde Bruno e Dom desapareceram, fizeram uma manifestação em apoio a lideranças da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). REUTERS/Bruno Kelly

A esposa de Dom, Alessandra, confirmou ao jornalista André Trigueiro, da GloboNews que recebeu informação da Polícia Federal de que os corpos foram encontrados. Os corpos dos dois teriam sido encontrados amarrados em uma árvore. A Polícia Federal, porém, informou que não encontrou qualquer novo indício sobre o desaparecimento dos pesquisadores. A UNIVAJA também negou que corpos foram achados.

O presidente Jair Bolsonaro falou mais uma vez sobre o desaparecimento. Segundo ele, parece que “fizeram maldade” com os dois. Pouco tempo depois da fala do mandatário, a esposa do jornalista afirmou que os corpos foram encontrados.

"Estou acompanhando [as buscas dos corpos]. Agora, os indícios levam a crer que fizeram alguma maldade com eles. Foram encontrado vísceras humanas, que já estão aqui em Brasília para se fazer o DNA", afirmou Bolsonaro. “Pelo tempo, já vai ser muito difícil encontrá-los com vida.”, declarou.

Em assembleia, servidores e servidoras da Funai deliberaram greve por 24 horas a partir das 9h, com ato em frente ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.

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