Bruxelas quer esclarecer escândalo de espionagem na Grécia

As instituições europeias continuam atentas ao escândalo de alegada espionagem pelos serviços de informações secretas da Grécia ao líder da oposição e a um jornalista de investigação.

O governo grego nega que tenham sido feitas escutas através de um software chamado Predator. À pressão interna sobre o governo de Atenas, juntam-se os pedidos de esclarecimento da Comissão Europeia sobre uma eventual violação das leis de proteção de dados em vigor na União.

"Sim, a segurança nacional é da competência de cada Estado-membro. No entanto, ao garantir a segurança nacional, os Estados-membros devem aplicar a legislação relevante da União Europeia, incluindo a jurisprudência do Tribunal de Justiça", disse Christian Wigand, porta-voz da Comissão Europeia, em resposta a uma pergunta da euronews.

Missão e inquérito em estudo

No Parlamento Europeu também há preocupação e um número crescente de eurodeputados apelam a uma investigação e a um debate em sessão plenária.

O Partido Popular Europeu (centro-direita) está em silêncio, mas liberais, socialistas, verdes e a esquerda radical mobilizam-se.

"Estamos, realmente, a insistir, por um lado, numa missão da Comissão de Assuntos Constitucionais à Grécia para esclarecer o assunto, mas também que se faça um inquérito completo, tal como o fizemos noutros casos", disse Gabriele Bischoff, eurodeputada de centro-esquerda alemã, em entrevista à euronews.

"Há de facto uma ameaça aos valores da democracia e do Estado de direito e, por isso, o caso precisa de ser esclarecido, tal como fazemos com outros Estados-membros, devo recordar. Não está em causa apenas um membro do Parlamento Europeu, mas também os jornalistas gregos. A liberdade dos meios de comunicação social é algo que se reveste da maior importância a nível europeu", acrescentou Gabriele Bischoff.

De recordar que o Parlamento Europeu tem em curso uma comissão de inquérito sobre a utilização de outro software, o Pegasus, por alguns governos de Estados-membros para espiar ativistas de direitos humanos, jornalistas e políticos.