Oposição da Armênia toma as ruas de Yerevan em aniversário do genocídio

Yerevan, 24 abr (EFE).- A oposição da Armênia tomou nesta terça-feira pacificamente as ruas da capital Yerevan para lembrar o aniversário do genocídio cometido por determinação das autoridades do Império Otomano, fazendo uma pausa em sua dura disputa com o governo após a renúncia do primeiro-ministro.

Milhares de partidários do líder opositor, Nikol Pashinyan, estão marchando há horas pelas ruas da capital em direção ao memorial de Tsitsernakaberd (Fortaleza das Andorinhas), que fica nos arredores da cidade.

Pashinyan, o herói do movimento que ficou conhecido como "primavera armênia", é um dos líderes da marcha, na qual é possível ver muitas bandeiras nacionais. Os manifestantes, no entanto, não estão exibindo cartazes ou gritando palavras de ordem contra o governo.

A oposição estabeleceu com o governo que o dia 24 de abril, data em que é lembrado o massacre de 1,5 milhão de armênios pelo governo otomano, seria um dia de trégua na luta política que provocou ontem a renúncia do chefe de governo e ex-presidente, Serj Sargsyan.

O encerramento da manifestação acontece no memorial de Tsitsernakaberd , onde serão depositados ramos de flores ao pé da chama eterna, uma cerimônia na qual o grande ausente é Sargsyan, homem forte do país desde 2008.

"Em 24 de abril, nenhum armênio pode ir contra outro armênio. Durante mais de 100 anos, esta data foi um dia de lembrança, de luto e de união contra a injustiça cometida pela Turquia. Hoje também é um dia de protesto contra aqueles que negam o genocídio", diz uma declaração emitida pelas autoridades civis e religiosas do país.

A trégua política termina hoje, já que, amanhã, Pashinyan está disposto a realizar consultas com as autoridades para a convocação de eleições parlamentares antecipadas.

Além disso, o líder opositor garantiu que as conversas tratarão "da transferência de poder ao povo, sem cataclismos" e convocou o partido governante a "reconhecer a vitória da revolução de veludo sem violência", exigindo a libertação de todos os detidos nos protestos que começaram em 13 de abril. EFE