Bundesliga volta com protocolo rígido e sob os olhos do mundo

Carlos Eduardo Mansur

A fórmula Bundesliga, que começará a ser testada neste sábado, concentra interesse das principais ligas do mundo, de olho na criação de um novo padrão para a retomada de competições. Os jogadores serão submetidos a uma rotina absolutamente distinta da habitual. E até os comportamentos em campo serão alterados.

Antes de tudo, a aprovação pelo governo da volta do Campeonato Alemão levou em conta a situação de um país que conseguiu ter bom controle da epidemia do novo coronavírus. Enquanto isso, a Bundesliga calculava perdas de 750 milhões de euros em caso de cancelamento do restante da temporada, um valor que, considerando as duas divisões profissionais do país, colocaria em risco a própria existência de alguns clubes.

Após duas semanas de confinamento em suas casas, seguindo regras estabelecidas pelo governo do país para todos os cidadãos, os jogadores começaram a treinar em grupos pequenos no início do mês. Dias antes, começaram a ser submetidos à rotina de dois testes semanais, incluindo exames PCR - de maior confiabilidade, a partir de secreções da garganta e nariz - e testes sorológicos. Ao todo, para concluir a temporada, serão 25 mil exames em atletas, comissões técnicas e staff envolvido com a realização das partidas.

Junto aos testes, os clubes passaram a enviar mensagens por celular aos jogadores que, diariamente, respondiam se sentiam alguns sintomas ou se algum familiar com quem dividiam residência apresentava algum quadro que indicasse ter contraído a Covid-19. Nos treinos, cada clube adotou soluções de acordo com sua disponibilidade de espaço e estrutura. Alguns transferiram as atividades dos CTs para os estádios e formaram grupos de três a quatro atletas, além de um grupo separado de goleiros. Uniformes eram lavados em casa e os vestiários não foram usados no início da retomada.

A partir daí, surgiram questões. O que fazer se um atleta testasse positivo? Pelo protocolo original, apenas os casos positivos seriam colocados em quarentena, como foi feito no Colônia: o clube afastou dois jogadores e um fisioterapeuta. O meia belga Birger Verstraete se disse desconfortável com a medida. Entre outras coisas, afirmou que havia treinado junto a um dos infectados e fora atendido pelo fisioterapeuta. Mas a norma foi mantida. Já no Dynamo Dresden, da segunda divisão, foi adotada a quarentena para todo o time por ordem das autoridades locais. E a equipe teve que adiar as duas primeiras rodadas após a volta do torneio.

O dia de jogo envolverá outra operação absolutamente fora dos padrões habituais. Uma semana antes de suas partidas, os jogadores foram colocados em hotéis. Só saíam dos quartos para treinar e fazer as refeições. Uma regra tão rígida que fará um time reestrear sem treinador: por ter saído para ir ao supermercado comprar pasta de dente, o técnico Heiko Herrlich, do Augsburg, será impedido de dirigir o time contra o Wolfsburg, neste sábado. As delegações irão para os estádios divididas em diversos ônibus, permitindo distanciamento, ou até em carros particulares. Os veículos serão desinfetados a cada viagem das equipes.

No estádio e ao redor dele, foi fixado um número máximo de 322 pessoas credenciadas, 98 delas com acesso ao campo de jogo e à área ao redor das quatro linhas. Terão permissão para ingressar no estádio atletas, comissões técnicas, um número restrito de dirigentes, equipes de transmissão, arbitragem, VAR e seguranças. Todos os que não são atletas usarão máscaras e, no banco de reservas, a ideia é que um assento fique livre entre cada jogador. Caso não haja espaço disponível, pode ser usada parte da arquibancada para acomodar os suplentes. Ninguém entrará no estádio sem ter a temperatura checada.

A entrada em campo não terá crianças ou mascotes dos times e o número de gandulas foi reduzido a quatro, todos com mais de 16 anos. Os cumprimentos entre jogadores também foram suprimidos nas cerimônias que antecedem as partidas.

Jogadores também vão precisar se adaptar a novidades durante os jogos. A hidratação será feita em garrafas individuais. Eles foram instruídos a evitar cuspes no chão e comemorações com abraços. Treinadores poderão fazer até cinco substituições, com um máximo de três paralisações do jogo para trocas. A nova regra foi aprovada por International Board e Fifa e valem até dezembro, para permitir mais rotações de jogadores, que serão submetidos a um calendário intenso para que as temporadas sejam encerradas.

É possível que algumas soluções criativas sejam vistas nas arquibancadas. O Borussia Mönchengladbach, por exemplo, vendeu por 20 euros o direito de o torcedor ter uma foto sua recortada, como se fosse um manequim, em um dos assentos do estádio. O time volta a jogar em casa na próxima rodada, no dia 23 de maio.

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