Burocracia e barreira linguística: os perrengues do CEO da Loft no Brasil

A recente demissão de 384 funcionários da Loft, o equivalente a 12% do seu quadro de colaboradores, pode ser considerado um dos maiores perrengues que o seu fundador e co-CEO, Mate Pencz, vivenciou desde o início das operações da proptech em 2018. Mas, em entrevista ao Yahoo Finanças, o empreendedor húngaro revelou que as diferenças culturais e a barreira linguística foram o principal desafio desde a sua chegada ao Brasil há pouco mais de dez anos.

“É uma curva de aprendizagem que continua até hoje”, afirma o executivo sobre aprender a língua portuguesa e assimilar a cultura brasileira. Embora alguns momentos tenham sido considerados engraçados para quem acompanhou essa trajetória, Pencz afirma que a experiência não foi tão engraçada para ele no início, mas que hoje comemora ter persistido e está muito feliz no país.

*Burocracia impressiona e desafia”

Outro perrengue que Pencz destaca e que infelizmente pouco evolui desde que ele vive aqui é a burocracia. “Eu acho que isso é muito sintomático e que todos se frustram com isso, mas a burocracia é algo muito enraizado na cultura brasileira”, analisa o húngaro.

CEO da Loft contou perrengues como burocracia e idioma
CEO da Loft contou perrengues como burocracia e idioma

Apesar de continuar se impressionando diariamente com esse problema, o empreendedor também se sente motivado em continuar trabalhando para resolvê-lo ou, pelo menos, mitigar o desgaste dos clientes da Loft com o processo que envolve comprar, vender ou alugar um imóvel. “Estamos, literalmente, cortando um mato alto”, afirma Pencz.

Empreendedores europeus no mercado brasileiro

Formado em Economia pela Harvard University, o húngaro Mate Pencz se uniu ao alemão Florian Hagenbuch, no começo da década passada, para estudar as possibilidades nos mercados emergentes. Diante da oportunidade de ganhar escala com tecnologia no mercado de impressão brasileiro, mudaram-se para o Brasil em 2012 e fundaram a Printi, a primeira startup da dupla, com a ajuda de redes profissionais e investidores anjos e de risco. A empresa desenvolveu-se numa parceria com a finalidade de usar as instalações e máquinas para liderar a impressão industrial local. Dentro de alguns meses, a Printi lançou um site, contratou uma equipe e vendeu seu primeiro produto. A startup foi vendida em 2016 por mais de US$ 100 milhões para a multinacional norte-americana Vistaprint. Hoje, a empresa emprega mais de 500 funcionários.

Em 2016, Mate e Florian fundaram o Canary, um fundo de VC especializado na primeira rodada das novas empresas brasileiras, seja ela seed ou série A. A Canary tem investimentos em diversas startups brasileiras como Buzzer, Docket, EmCasa, Gupy, IDWall, Mimic, Spin Pay e Trybe.

Já em 2018 eles fundaram a Loft, startup que facilita a compra de apartamentos por meio de uma experiência digital e com preços e informações verificados. Hoje, a Loft é uma das maiores plataformas de compra e venda de apartamentos residenciais do mundo. A Loft tem disponíveis atualmente na sua plataforma mais de 50 mil apartamentos ativos à venda em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Guarulhos e Porto Alegre, distribuídos por mais de 260 bairros nas cinco cidades. Entre as empresas do Grupo Loft estão CrediHome, CredPago, Foxter, TrueHome (México), 123i e Vista.

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