Burundi ordena expulsão do representante da OMS

Equipe médica de um hospital local participa de campanha eleitoral em Gitega, centro do Burundi, em 27 de abril de 2020

Quatro especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Burundi, incluindo seu representante no país, serão expulsos na sexta-feira (15) - anunciou o Ministério das Relações Exteriores em uma carta ao escritório africano da instituição, consultada nesta quinta-feira (14) pela AFP.

A carta especifica que "as pessoas cujos nomes são citados foram declaradas 'persona non grata' e que, portanto, devem deixar o território do Burundi antes de 15 de maio".

Os interessados são o dr. Walter Kazadi Mulombo, representante da OMS no Burundi, dois funcionários da OMS - o dr. Jean Pierre Mulunda Nkata, coordenador da resposta contra o novo coronavírus, e o dr. Ruhana Mirindi Bisimwa, responsável pelo programa contra doenças transmissíveis - e um consultor, o professor Daniel Tarzy, especialista em biologia molecular.

"É toda equipe da OMS encarregada de apoiar o Burundi em sua resposta contra à COVID-19 que está sendo expulsa", explicou à AFP uma autoridade do Burundi que não quis revelar sua identidade.

A organização sanitária das Nações Unidas disse nesta quinta-feira "lamentar profundamente" a expulsão dos quatro especialistas, poucos dias antes da realização das eleições presidenciais, marcadas para 20 de maio.

A Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre o Burundi "lamenta profundamente a recente decisão do governo do Burundi", afirmou em comunicado.

Encarregada desde 2016 de investigar violações de direitos humanos cometidas neste país da África Oriental, a Comissão também manifestou sua "preocupação" com a "decisão das autoridades de não aplicarem as recomendações para o distanciamento social", uma vez que os comícios eleitorais atraem milhares de pessoas.

Há um mês, o Ministério das Relações Exteriores do Burundi já havia iniciado o mesmo procedimento contra os quatro funcionários em questão.

Suspendeu essa decisão, porém, após conversas entre o chefe de Estado, Pierre Nkurunziza, e o diretor-geral da OMS, segundo fontes diplomáticas e administrativas.

Até o momento, o país registrou oficialmente apenas 27 casos positivos do novo coronavírus, entre eles um óbito.

Acusado por médicos e pela oposição de ocultar o número real de casos de COVID-19, o governo do Burundiconsidera que o país está protegido da doença pela "graça divina".

O Burundi decidiu fechar suas fronteiras, mas não adotou qualquer medida de confinamento, ao contrário da maioria dos outros países da região.