Busca por jornalista e indigenista entra no 3º dia em meio a criticas ao governo

Equipe do Exército busca por jornalista e indigenista desaparecidos. Foto: Divulgação/Exército Brasileiro.
Equipe do Exército busca por jornalista e indigenista desaparecidos. Foto: Divulgação/Exército Brasileiro.
  • Exército e Marinha atuam na busca pelos desaparecidos

  • Entidades indígenas cobram mais ação do governo federal

  • Jornalista e indigenista desapareceram entre Atalaia do Norte e São Rafael

Nesta quarta-feira (8), equipes realizam o terceiro dia de busca pelo jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, e o indigenista Bruno Araújo Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), que desapareceram no Vale do Javari, na Amazônia.

A dupla fazia o trajeto da comunidade ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte. As buscas são feitas pelo Exército e pela Marinha. Desde a tarde de segunda-feira (6), cerca de 150 combatentes de selva da 16º Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Tefé (AM) participam da operação. Um helicóptero dá apoio às atividades.

Já a Marinha enviou o Comando de Operações Navais, que utiliza helicópteros, motos aquáticas e embarcações. Além disso, 15 servidores da Funai e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) foram enviados ao local, sob a coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A dupla desapareceu quando fazia o caminho entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte e desapareceram, no estado do Amazonas. A informação foi confirmada pela União das Organizações Indígenas do Vale do Javari e pelo Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Isolados e de Recente Contato.

As buscas contam com apoio de “indígenas extremamente conhecedores da região", que percorrem os quase 200 km entre Atalaia do Norte e a comunidade de São Rafael.

O desaparecimento está sendo investigado pela Polícia Federal no Amazonas.

Governo Bolsonaro é cobrado

Entidades indígenas divulgaram uma nota nesta terça-feira (7) cobrando mais ações do governo federal nas buscas. O texto é assinado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

No comunicado, as entidades denunciam que na segunda-feira (6), apenas seis policiais militares e uma equipe da Funai trabalhavam nas buscas, e negaram que a Polícia Federal e a Marinha apoiavam a operação.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) falou pela primeira vez sobre o desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Nesta terça-feira (7), Bolsonaro supôs que o desaparecimento seja consequência de uma execução ou de um acidente.

Além disso, o presidente da República também definiu a viagem dos dois como uma “aventura não recomendada”. As declarações foram feitas em entrevista ao SBT.

“Realmente, duas pessoas apenas num barco, numa região daquela completamente selvagem é uma aventura que não é recomendada que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser acidente, pode ser que tenham sido executados”, afirmou.

De acordo com a família de Bruno Pereira, ele era um profundo conhecedor da região. As famílias pediram ao governo federal que as buscas sejam intensificadas.

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