Busca por novas competências deve focar no aprendizado consistente e engajado

Na jornada de inovação das empresas, acentuada nos últimos vinte anos e superacelerada durante a pandemia, profissionais são permanentemente desafiados a novos aprendizados. Mas esse não é um processo apenas para atualizar as equipes sobre os mais recentes recursos tecnológicos. É um desenvolvimento contínuo que envolve propósito, engajamento, liderança e uma combinação do interesse individual em aprimorar a própria carreira e do esforço conjunto de preencher as lacunas das organizações.

As novas competências profissionais, o comportamento das corporações e o papel das instituições de ensino estiveram em discussão na mesa redonda “Educação executiva: falácias ou inovações para um futuro transformador?”, durante o Festival LED – Luz na Educação. Durante dois dias, o encontro debateu novas práticas que aliam aprendizado, transformação e consciência social.

O debate sobre educação executiva foi mediado por Flávia Barbosa, editora executiva do GLOBO. A vice-diretora da Coppead, Elaine Tavares, citou três grandes desafios no desenvolvimento de novas competências: a auto curadoria, a acelerada transformação digital e soft skills, habilidades comportamentais, como liderança, criatividade, trabalho em equipe, que facilitam a interação entre as várias gerações dentro da mesma empresa.

— Viramos uma sociedade que busca informação e não necessariamente conhecimento. A gente às vezes não tem uma busca de algo mais consistente, de identificar quais são as lacunas de competência e como endereçar o preenchimento dessas lacunas. Qual é o papel do curso de curta duração e das informações que eu obtenho na internet? Como faço para me formar adequadamente diante dos desafios que tenho? Quando falamos de transformação digital, para mim tem dois pontos importantes para desenvolver: capacidade analítica e raciocínio crítico — afirmou Elaine.

A professora destacou que o Brasil é o quinto país com maior gap de talentos no mundo, mas lembrou que a diversidade da população é um ativo que deve ser cada vez mais valorizado pelas corporações.

— Uma organização existe para fazer alguma coisa em prol de uma sociedade. Por isso o movimento ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança) vem com tanta força. Mas tem que ser um movimento da sociedade para todo mundo de braço junto conseguir superar esse gap de talentos. Se a gente educa, a gente consegue transformar isso. Não temos que nos preocupar com o Turnover, mas com gestão de conhecimento – destacou a vice-diretora, acrescentando que o Coppead se reúne regularmente com os RHs para entender qual o déficit e/ou gargalos para que a escola possa desenvolvê-los nos alunos.

Consultor e especialista em RH, o professor Nelson Savioli chamou atenção para a importância de “posicionamentos civilizatórios”. E defendeu parcerias entre empresas e centros de excelência.

— A era digital mexeu com a cabeça de donos de empresas, presidentes de conselho, diretores de RH, CEOs. “Como eu, dono da empresa ou profissional, faço a empresa andar com o predomínio exagerado do digital?” Estão preocupados com as mudanças verticais, tecnológicas, digitais. Chamo de verticais porque olho para cima e para baixo. O que falta é o desafio de competências horizontais, ligadas à equidade, ao meio ambiente, à justiça social. Não vamos esquecer o digital, mas nossa parte é como dotamos as empresas, os indivíduos, dessas competências horizontais, que eu chamo de civilizatórias.

Os debatedores concordaram que a criatividade, a iniciativa e mesmo o empreendedorismo devem ser estimulados pelas corporações, sem o temor excessivo da perda de talentos.

— Existe um fenômeno de rotatividade nunca visto no mundo. Um diretor me falou: “Todas as pessoas do meu time receberam propostas este mês”. Que bom! Na hora que pararem as propostas, é porque a gente está com as pessoas erradas — disse Fabio Rosé, diretor geral de Pessoas & Cultura da Dasa, maior rede de saúde integrada do país.

Outro ponto da discussão foi o engajamento dos colaboradores, em qualquer área.

— Uma forma de engajamento mais inovadora é a gente identificar aquilo que quer manter e não manter e o que quer acrescentar de novo. Engajamento é criar as condições para que a pessoa queira fazer parte daquilo — afirmou Rosé.

O Festival LED – Luz na Educação é realizado pela Globo e Fundação Roberto Marinho em parceria com a plataforma “Educação 360 – Conferência Internacional de Educação”, da Editora Globo, com patrocínio de Invest.Rio e apoio da Coppead.

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