Após relato de mais um tiroteio em chácara, policiais realizam novo cerco para capturar Lázaro Barbosa

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Policiais realizam novo cerco em busca de Lázaro Barbosa em Goiás - Foto: Reprodução/TV Globo
Policiais realizam novo cerco em busca de Lázaro Barbosa em Goiás - Foto: Reprodução/TV Globo
  • Polícia acredita que Lázaro tentou invadir chácara e trocou tiros com caseiro

  • Operação de buscas entra no décimo quinto dia nessa quarta-feira (23)

  • Especialistas criticam espetacularização envolvendo o caso

Policiais realizam um novo cerco desde a noite desta terça-feira (22) durante a operação que tenta capturar Lázaro Barbosa, suspeito de matar uma família inteira em Ceilândia (DF). Ação entra em seu décimo quinto dia nessa quarta-feira (23). 

Os agentes adentraram uma mata com lanternas e até drones foram usados depois de uma nova denúncia que dava conta de uma troca de tiros entre o caseiro de uma chácara e um invasor, na região de Cocalzinho (GO). As informações são da TV Anhanguera, filiada da Globo na região.

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De acordo com a emissora, policiais disseram que o criminoso tentou invadir a chácara tentando arrombar a porta. Diante da tentativa, o caseiro teria disparado contra o homem, que revidou. A polícia trabalha com a hipótese de que o suposto invasor seria Lázaro e, portanto, apertou o cerco na região. 

Ainda na noite de terça, carros descaracterizados faziam ronda pela região da chácara. Nas primeiras horas da quarta, já na madrugada, as viaturas retornaram depois de não encontrar rastros de Lázaro. 

Conforme apuração da Anhanguera, o caseiro não se feriu na troca de tiros e também diz não poder garantir se um de seus disparados atingiu o invasor. 

Busca virou 'circo'

270 agentes das polícias civil e militar do Distrito Federal e de Goiás, cinco cães farejadores, helicópteros e outros recursos são usados na busca por Lázaro Barbosa, que ganhou na imprensa e nas redes sociais o apelido de 'serial killer do DF'. Em meio a mata fechada, pontos de bloqueio são também feitos por homens da Policia Federal e Rodoviária. A operação, que conta com disque-denúncia, vem ganhando cada vez mais notoriedade nacional e caráter predatório. 

Especialistas defendem que a forma como o caso é noticiado, bem como a ação das forças de segurança, colocam a vida de Lázaro em risco, alem de reforçar discursos como o da justiça com as próprias mãos.

"O uso de termos como 'caçada', 'procurar leão na selva' ou similares não colaboram para a busca efetiva do suspeito e cumprimento do processo legal. Já de pronto se animaliza a pessoa procurada. Então, há uma preocupação sobre esse 'quase circo' que tem sido montado. Descaracteriza o trabalho da polícia, que não deveria fazer caçadas, deveria fazer operações policiais com inteligência evitando morte ou pessoas feridas", avalia o coordenador da rede de Observatórios da Segurança do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESEC), Pablo Nunes.

Cassio Thyone, membro do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, também conversou com o Yahoo Notícias sobre o caso das fotografias divulgadas pela Polícia Civil como sendo da casa do suspeito. No último fim de semana, lideranças religiosas de matrizes africanas denunciaram a truculência da Polícia Militar nas buscas por Lázaro nos terreiros da região do Distrito Federal.

"Houve uma precipitação na divulgação, inclusive porque os templos fotografados, ao que tudo indica, nada tinham a ver com o foragido. A notícia serviu para incitar a intolerância religiosa. Sobre a divulgação da casa, mais um equívoco. Colocando em risco familiares de Lázaro. Quando uma informação divulgada pela polícia cumpre um papel na estratégia, tudo bem. Mas aqui avaliamos como um equívoco", explica o especialista.

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