Buscas por desaparecidos continuam após enchentes na Alemanha

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Os canos afundaram na escuridão de uma garagem em Ahrweiler, cidade alemã afetada pelas enchentes. Milhares de litros de água são bombeados do porão, enquanto os bombeiros do lado de fora temem descobrir um dos muitos desaparecidos.

"É um jogo de azar", diz à AFP Sven Heich, de 44 anos, bombeiro voluntário envolvido nas operações de resgate.

Na sexta-feira (16), ele e sua equipe descobriram o corpo de uma idosa, que morreu afogada em seu apartamento no andar térreo.

Fora de Bad Neuenahr-Ahrweiler, um aeródromo é utilizado como base para helicópteros que evacuam, em particular, os cadáveres das vítimas encontrados pelos serviços de emergência em meio aos escombros.

O número de vítimas aumenta a cada dia no oeste da Alemanha, alcançando 165 mortos nesta segunda-feira (19).

Quantas pessoas ainda estão desaparecidas? As autoridades são cautelosas. Na Renânia-Palatinado, que registra a maioria das vítimas, a polícia tenta estabelecer contato com centenas de pessoas, disse hoje o ministro regional do Interior, Roger Lewentz.

Moradores dados como desaparecidos por seus familiares desde a dramática tempestade da noite de 14 para 15 de julho acabam conseguindo dar notícias, após dias sem acesso a redes de comunicação. Para outros, o resultado é terrível, e seus nomes são adicionados à lista de vítimas falecidas.

Nas redes sociais, os avisos de busca são divulgados e compartilhados.

Uma mensagem dos parentes de Lisa H., que desapareceu na quarta-feira à noite quando fazia um curto trajeto a pé, foi retransmitida várias vezes. "Obrigado do fundo do coração pelos muitos compartilhamentos, mas podem parar. Lisa não sobreviveu", avisou um de seus conhecidos, sábado (17), no Facebook.

- "Esperança se esvai" -

Imagens comoventes de reencontros, após horas de angústia, também são publicadas.

Outros apelos não tiveram sucesso: "Ainda desaparecido! A esperança de encontrar meus sogros está se esvaindo. Mas minha família precisa de certezas. Quem viu seu motorhome com esta cor em particular?", escreveu Michael K. no Facebook no domingo (18).

As famílias também podem entrar em contato com as centrais telefônicas instaladas nas áreas de desastre.

Uma plataforma é dedicada ao cantão de Bad Neuenahr-Ahrweiler. No final da linha, os agentes são responsáveis por recolher o máximo de informação possível sobre as pessoas procuradas, explica à AFP Ulrich Sopart, porta-voz da polícia de Koblenz (Renânia-Palatinado).

"Depois do nome, perguntamos como a pessoa estava vestida, ou como poderia estar vestida. Nem sempre é óbvio, principalmente, se o último encontro foi há vários dias", admite.

Cerca de 50 investigadores estão trabalhando nos relatórios.

"Devido ao colapso da rede de telefonia móvel, uma pessoa às vezes é apontada como desaparecida por três outras pessoas: sua família, seus amigos e seus colegas de trabalho", explica Sopart, tornando necessário verificar as informações.

A investigação segue, então, para o terreno: ir ao endereço do desaparecido, perguntar aos vizinhos por algum sinal de vida.

"Com várias centenas de pessoas procuradas, pode levar semanas, ou meses", observa Sopart.

"Quando você vê a devastação, entende que não é possível ir a todas as casas e que encontraremos mais mortos", lamenta Roger Lewentz.

Na violência das enchentes, casas, carros e estradas foram destruídos, e é possível, acrescenta Ulrich Sopart, "que não encontremos os corpos".

"Testemunhas nos disseram que viram carros arrastados por rios transbordando, seus passageiros presos dentro", relatou um membro da Defesa Civil à AFP, sob condição de anonimato.

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