Buscas por tripulantes de avião desaparecido chegam ao 15° dia na Floresta Amazônica, em Roraima

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RIO - A procura pelos três tripulantes de uma aeronave de pequeno porte desaparecidos na floresta amazônica, em Roraima, chegou ao 15° sem qualquer vestígio concreto do paradeiro. Nesta terça-feira, o Corpo de Bombeiros iniciou um trabalho de varredura terrestre, depois de 12 dias de buscas aéreas.

Uma equipe com quatro militares especialistas em buscas terrestres partiu de Boa Vista, na manhã de ontem. Os bombeiros seguiram de helicóptero para o local indicado nos últimos sinais de GPS emitidos pelos equipamentos da aeronave desaparecida. Até o início da noite, os militares ainda não tinham dado notícias positivas a respeito das buscas.

- Nossa equipe está em uma área de mata muito densa e fechada, e não têm conexão com internet. Eles estão com equipamento de localização via satélite, estão com telefone satelital, para passar informações de urgência - explicou o coronel Anderson Carvalho de Matos, subcomandante da corporação.

Os militares na operação têm capacidade para ficar de 5 a 7 dias na mata. Ele mantém contato por meio de sistema de telefonia via satélite (telefone satelital), realizando atualização das informações sobre a missão diariamente.

O avião desapareceu na manhã do dia 4 de agosto, pouco depois de decolar da pista do Timbó, região do Monte Cristo, zona rural de Boa Vista. O destino era uma pista de pouso às margens do rio Mucajaí, dentro da aldeia Homoxi, na terra indígena Yanomami. No local, funciona um garimpo ilegal.

A aeronave era comandada pelo piloto Cristiano Nava da Encarnação, de 32 anos. Com ele, estava o mecânico de avião Wallace Gabriel Lopes, de 24 anos, morador do Rio. O terceiro tripulante era o empresário Antônio José Oliveira da Silva, de 46 anos, que possui duas máquinas de garimpo na terra indígena.

Nava foi contratado para levar o empresário, o mecânico e uma peça para a área onde ocorre a exploração mineral irregular por se tratar de terra indígena homologada. No local, havia um helicóptero pertencente a Antônio José e que precisava de reparos. Wallace daria manutenção na aeronave danificada.

- Meu irmão tem experiência, conhece bem a mata. Se ele não estiver machucado, tenho certeza que ele vai chegar a algum lugar. Mas só de pensar nele impossibilitado de andar, parado, esperando socorro, essa imaginação faz sofrer minha cabeça - afirmou Francisco Evandro de Oliveira da Silva, 42 anos.

Evandro é irmão do empresário desaparecido. De acordo com ele, Antônio José tem possui duas "máquinas de garimpo" e uma "chupadeira" na terra indígena, ambos equipamentos utilizados na extração mineral. Ele nega que seu irmão seja dono do garimpo.

- Aquilo não tem dono, cada um chega e procura um lugar para trabalhar. Às vezes você divide a área com outros garimpeiros. Meu irmão trabalhava há uns seis meses, com mais seis pessoas nas máquinas dele. Mas não é um dono de mineradora, uma pessoa milionária - disse Evandro.

Antônio José contratou o voo para levar uma peça de helicóptero que pertence à sua ex-mulher. A aeronave da família está estragada dentro da terra indígena e precisava de reparos.

O garimpeiro e o piloto conheciam o trajeto. Ambos já tinham feito viagem aérea entre Boa Vista e a terra indígena. Os tripulantes viajaram a bordo de um avião modelo Poty, prefixo PU-POT.

De acordo com dados que constam no sistema da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o avião era do tipo ultraleve, com capacidade para no máximo um passageiro, capaz de transportar até 550 kg e não estava autorizado a fazer táxi aéreo.

As buscas pelo piloto e passageiros começaram por iniciativa dos próprios amigos dos tripulantes. Depois de dois dias à procura, em aviões particulares, as famílias resolveram procurar a Força Aérea Brasileira (FAB).

A FAB enviou aviões e realizou buscas ao longo de dez dias. O trabalho foi feito por aeronaves SC-105 Amazonas SAR e H-60 Black Hawk. No último domingo, a FAB anunciou ter encerrado as buscas, após ter realizado buscas que seguiram os "padrões internacionais".

A Força Aérea Brasileira, no entanto, não descarta a retomada dos trabalhos. Em nota, informou que a operação "pode ser reativada quando justificada por meio do surgimento de novas informações sobre a aeronave e/ou o piloto".

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