Butantan desenvolve vacina contra Covid e deve pedir início de testes à Anvisa ainda nesta sexta

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Com a aprovação da Anvisa, instituto estima disponibilizar 40 milhões de doses da 'Butanvac' prontas para uso no fim do ano - Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Com a aprovação da Anvisa, instituto estima disponibilizar 40 milhões de doses da 'Butanvac' prontas para uso no fim do ano - Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
  • Vacina desenvolvida pelo Butantan já passou por fase pré-clínica e agora deve enfrentar testes até o fim de 2021

  • Covas projeta 40 milhões de doses da Butanvac até o final do ano, caso imunizante tenha aval da Anvisa

  • Outros sete estudos de vacinas estão sendo realizados no Brasil

O Instituto Butantan solicitará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para testes clínicos com uma nova vacina contra a Covid-19, a Butanvac. De acordo com a Folha de S.Paulo, o pedido será feito ainda nesta sexta-feira (26).

O novo imunizante foi desenvolvido pelo próprio instituto, que já produz e distribui a CoronaVac, vacina realizada em parceira com a farmacêutica chinesa Sinovac. À Folha, Dimas Covas, presidente do Butantan, projetou que todos os testes devem ser realizados até o fim deste ano, quando será possível viabilizar a produção de 40 milhões de doses da Butanvac.

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Além da Coronavac, produzida pelo Butantan, a vacina Oxford/AstraZeneca tem sido produzida pela Fiocruz no Brasil também. Até o momento, esses são os dois imunizantes (sendo o do Butantan, em maioria) que foram aplicados nos brasileiros.

De acordo com a Folha, a Butanvac já realizou testes "pré-clínicos", realizados em animais, para aferir possíveis efeitos positivos ou de toxicidade. Com um eventual aval da Anvisa, a Butanvac terá de passar pelas fases 1 e 2 de avaliação, nas quais são medidas a capacidade de resposta do imunizante e sua segurança. Na fase 3 são definidos os níveis de eficácia.

Doria vê "avanço da ciência brasileira" e mira triunfo político

De olho na eleição de 2022, tucano tenta mais um triunfo político com nova vacina do Butantan - Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images
De olho na eleição de 2022, tucano tenta mais um triunfo político com nova vacina do Butantan - Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

Após ter "capitalizado" o sucesso da vinda da CoronaVac ao Brasil, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), celebrou os primeiros passos para a viabilização da "Butanvac".

“Um grande avanço da ciência brasileira a serviço da vida”, afirmou o tucano de acordo com a Folha de S. Paulo

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Com um discurso em prol da vacinação desde o início, o governado paulista se tornou um dos principais rivais políticos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já se mostrou diversas vezes contrário ao imunizante realizado pelo Butantan com a chinesa Sinovac, mas que, com o atual recrudescimento da pandemia no país, vem mudando sua postura sobre a imunização da população.

De acordo com Dimas Covas, há ainda pelo menos outro sete estudos de vacinas sendo realizados no Brasil. Todos eles ainda na fase anterior aos ensaios clínicos. Ainda assim, o diretor do Butantan disse torcer por uma "análise mais rápida" do que chamou de "uma segurança geração de vacina contra a Covid-19.

Butanvac também será testada em outros países

A Butanvac foi desenvolvida utilizando uma tecnologia amplamente adotada no próprio Instituto Butantan para fabricar o imunizante anual de gripe comum. Assim, Covas acredita que isso ajudará a acelerar os passos que o imunizante tem que cumprir até chegar nos braços dos brasileiros.

"As vacinas que foram desenvolvidas mais rapidamente contra a Covid-19 no mundo demoraram menos de seis meses para completar suas fases 1 e 2. “Mas elas eram totalmente novas”, argumenta o diretor do Butantan.

Além do Brasil, a Butanvac será testada em outros dois países participantes do consórcio, Vietnã e Tailândia —neste último, a fase 1 já começou, segundo a Folha de S. Paulo.