Butantan detecta em SP nova variante da Ômicron que afeta EUA, Europa e Austrália

O Instituto Butantan, por meio do Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS), identificou pela primeira vez no Brasil uma nova sublinhagem da variante Ômicron que tem crescido em países da Europa e nos Estados Unidos. Chamada de BN.1, a subvariante foi detectada a partir de uma amostra coletada em 27 de outubro em uma mulher de 38 anos, moradora da capital paulista.

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Segundo o Butantan, a identificação dessa sublinhagem no sequenciamento indica que ela está em circulação no Estado de São Paulo. Porém, destaca que, por não ser um exemplo de variante de preocupação, classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para linhagens que são mais transmissíveis ou têm outras vantagens evolutivas, não se espera que ela causa um grande impacto.

Por isso, ainda que a BN.1 tenha sido encontrada no Brasil, não há como afirmar por enquanto se ela vai se espalhar ou se irá circular de forma menos significativa que outras subvariantes que chamam a atenção hoje, como a BQ.1 e a BQ.1.1.

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Linhagens da Ômicron

A BN.1 foi descrita primeira vez no sistema Pango de linhagens do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, na Índia, no dia 28 de julho. Ela é derivada de uma outra subvariante da Ômicron, a BA.2.75. Atualmente, já foi sequenciada em amostras nos Estados Unidos, Reino Unido, Áustria, Austrália e Índia -- em todos superando 10% das amostras coletadas.

Nos EUA, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) passaram a monitorar mais de perto o avanço da nova linhagem na última semana. Segundo o painel de monitoramento do órgão americano, as versões da BQ.1 representam hoje a maior parte dos casos de Covid-19, cerca de 50%, porém a BN.1 tem crescido nos últimos sequenciamentos.

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Também na semana passada, a especialista em imunologia dos vírus do CDC, Natalie Thornburg, afirmou, durante um evento online organizado pela Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, que se estima que a BN.1 esteja dobrando de proporção a cada duas semanas pelo país. Porém, ressaltou que "a incerteza nesse tempo de duplicação é um pouco maior porque o número absoluto de sequências é baixo, porque as proporções são baixas".

Não há ainda estudos que avaliem o desempenho da sublinhagem frente à proteção conferida pelas vacinas atuais e pelas novas versões bivalentes, que contam com uma parte da Ômicron BA.4 e BA.5 em sua formulação. No entanto, com a emergência de diversas subvariantes diferentes da mesma cepa, espera-se que as doses adaptadas ampliem as defesas contra todas.

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Em entrevista recente ao GLOBO, a pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo reforçou que a expectativa é que as aplicações, em fase final de análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), "sejam melhores para a BQ.1 e para outras cepas semelhantes que estão sendo detectadas".

Na semana passada, o CeVIVAS, do Butantan, identificou duas outras novas sublinhagens da Ômicron, a XBB.1 e a CK.2.1.1, em duas amostras, uma na cidade de São Paulo e a outra em Ribeirão Preto. A amostra de XBB.1 foi responsável por uma onda recente em Cingapura e foi classificada pela OMS como Variante sob Monitoramento (VUM).