Búzios, Saquarema e Cabo Frio restringem acesso às praias; veja medidas de algumas cidades

João Pedro Fragoso e Pâmela Dias
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RIO - Com a divulgação do feriado de dez dias no estado do Rio de Janeiro, cidades da Região dos Lagos e da Serra Fluminense começaram a realizar, na última segunda-feira, reuniões para definir medidas restritivas mais rígidas para a próxima semana. A prefeitura de Armação dos Búzios, por exemplo, restringiu o acesso às praias, permitindo apenas atividades físicas no local. Além disso, a cidade terá barreiras sanitárias nas entradas, onde condutores de veículos e motocicletas deverão apresentar comprovantes de redisência, trabalho ou QR code de hospedagem para entrar. Estabelecimentos comerciais terão horário limitado até 00h e capacidade reduzida à 50%.

Assim como Búzios, Cabo Frio também restringiu o acesso às praias, permitindo apenas atividades físicas no local. A locação de imóveis de aluguel por temporada, como pousadas, cujo as pessoas geralmente ficam por mais tempo, está proibida enquanto o decreto estiver em vigência. Ademais, barreiras foram criadas nas entradas da cidade, permitindo a entrada apenas de moradores; pessoas que comprovem vínculo empregatício; turistas que apresentarem voucher de hospedagem na rede hoteleira ou nas casas legalizadas e até 40 ônibus de turismo. Além disso, está restrita a realização de eventos, atividades comerciais e permanência nas praias.

A prefeitura cabofriense definiu ainda a ocupação de até 50% em hotéis. Neste final de semana, a ocupação da rede hoteleira foi de 20%. Para o feriado, a previsão da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer é de 30%. A engenheira Victória Gomes, moradora de Ipanema, na Zona Sul do Rio, conta que havia reservado hospedagem antes de ficar sabendo do feriadão. No entanto, ela pretende cancelar o serviço devido às restrições no município.

— Eu tinha decidido ir com o meu marido para passar sete dias e, depois que ficamos sabendo do feriado prolongado, poderia ser até mais proveitoso. Mas estamos com medo dessas restrições e estamos pensando em remarcar a viagem — diz a engenheira.

Já Saquarema proibiu a entrada nas praias e outros espaços públicos de lazer no município, como praças e parques. Além disso, o município implementou barreiras sanitárias. Com isso, só poderão entrar na cidade pessoas que portarem comprovante de residência no próprio nome, ou no caso de aluguel de domicílio, o contrato em nome do locatário. Já quem for se hospedar em pousadas ou hoteis, deverá apresentar o voucher de reserva. Quem estiver sem autorização, não poderá entrar.

Por outro lado, em Angra dos Reis, no Sul Fluminense, as praias continuam abertas, uma vez que o decreto atual não proíbe banho de mar e nem a permanência na areia.

O estudante de publicidade Davi Ferreira reservou com alguns amigos, há cerca de dois meses, uma casa para passar quatro dias em Búzios. No entanto, com o anúncio do feriadão, eles cogitam a possibilidade de cancelar a viagem, devido às novas medidas sanitárias de combate ao coronavírus.

— O dono da casa falou que conseguiria gerar um QRcode para todos os carros que vão. Mas o problema não é o medo de não entrar na cidade, e sim o medo de aglomerar com muita gente que não está tendo os cuidados necessários — conta o jovem.

Para entrar na cidade da Região dos Lagos, condutores de veículos e motocicletas devem apresentar comprovante de residência, trabalho ou QR code de hospedagem.

A defensora pública da Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva da Região dos Lagos, Raphaela Jahara, informou que ainda nesta semana a Defensoria Pública se reunirá com os municípios para analisar as regras de restrição. Segundo ela, caso medidas rígidas não sejam implementadas junto ao feriado, é provável que a região tenha o efeito reverso, gerando ainda mais aglomerações.

— Estamos realmente muito preocupados porque entendemos que só esse feriadão sem restrição não adianta. Todos os municípios da região dos lagos estão com quase ou totalmente lotados e já estamos sofrendo com o fechamento de seis leitos de UTI para Covid-19 do Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama, que atende toda a região — aponta.

Raphaela ressaltou ainda que o ideal seria se medidas restritivas mais incisivas partissem do governo do estado, visto que algumas cidades evitam adotar tais barreiras sanitárias por represália dos comerciantes locais, que são diretamente afetados com os decretos.

Região Serrana

Em Petropólis, o governo anunciou reforço nas ações nas barreiras sanitárias, limitando a entrada de turistas e visitantes e determinou o fechamento dos pontos turísticos públicos e privados.

Nas barreiras serão liberadas para entrada na cidade pessoas que apresentarem comprovante de que residem no município ou apresentarem voucher comprovando reserva em meios de hospedagem no município ou com agendamento para compra nos polos de moda, que segundo a prefeitura, serão disponibilizados pelos próprios polos.

A estudante de publicidade e propaganda Maria Heckert morava no capital do estado e decidiu voltar para a cidade imperial no início da pandemia. Ela aconselha que turistas não procurem a cidade neste recesso, devido à situação crítica em que o município se encontra. Atualmente, Petrópolis possui 86.24% leitos de UTI para tratamento da Covid-19 ocupados.

— Não abordo ninguém para falar sobre isso, porque acho que já tem informação suficiente para terem consciência. Mas quando dão a oportunidade, não tem porque não falar. A situação está muito ruim para a gente evitar ressaltar para as pessoas ficarem em casa — relata.

Até a próxima sexta-feira, a expectativa é que outras cidades redefinam seus planos de contingenciamento, a fim de evitar aglomeração no feriadão.