Cármen Lúcia, Maia e OAB repudiam ataque em ato pró-Bolsonaro: 'Ontem, enfermeiras ameaçadas. Hoje, jornalistas agredidos'

Amanda Almeida
Manifestantes pró-Bolsonaro participaram de ato em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília: houve agressões a jornalistas

BRASÍLIA - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, lamentaram as agressões sofridas por jornalistas em manifestação em defesa do presidente Jair Bolsonaro neste domingo, em Brasília.

A ministra Cármen Lúcia defendeu a liberdade de imprensa. Maia, por sua vez, se manifestou em suas redes sociais lembrando a agressão sofrida por enfermeiros ao encontrarem apoiadores de Bolsonaro em protesto no dia 1º de maio.

"Ontem enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles. Cabe às instituições democráticas impor a ordem legal a esse grupo que confunde fazer política com tocar o terror", escreveu o presidente da Câmara.

Apoiadores de Bolsonaro agrediram jornalistas durante manifestação a favor do presidente e contra Moro, Maia e o STF, em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Um repórter fotográfico do Estado de São Paulo foi derrubado duas vezes, foi chutado e levou murros na barriga. Um motorista do jornal levou uma rasteira. A ministra do STF Cármen Lúcia repudiou os ataques:

- Lamento a informação de ter havido agressão a jornalistas em um dia tão significativo para imprensa como hoje. É inaceitável, inexplicável, que ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel do profissional de imprensa é o que garante a cada um de nós poder ser livre. Estamos, portanto, quando falamos da liberdade de expressão e de imprensa, no campo das liberdades, sem a qual não há respeito à dignidade - disse Cármen Lúcia.

'A democracia é plural', diz Cármen Lúcia

Em 1993, decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas criou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio. Cármen Lúcia participa de debate sobre "Pandemia e o papel essencial da imprensa", promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

Cármen Lúcia disse que, quando um jornalista é agredido, a "cidadania" também é:

- Não há dignidade na ausência de liberdade. E não há como exercer a liberdade sem ser informado sobre aquilo que se passa a nossa volta.

A ministra do STF também disse que "só quer o silêncio quem não quer a democracia".

- Quem gosta de ditadura gosta de silêncio. A democracia é plural, é barulhenta. Traz ruídos que a pluralidade enseja. Cada um tem direito de pensar livremente e a expressar suas opiniões livremente, e a capacidade crítica de uma sociedade depende das informações que a imprensa oferece.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, divulgou nota: “Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica".