Câmara aprova o decreto de intervenção federal na segurança do DF

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira, em sessão extraordinária, o decreto de intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro marcou uma grande articulação da Câmara frente aos ataques terroristas ocorridos em Brasília neste domingo. Líderes partidários defenderam que o decreto fosse apreciado o quanto antes para dar uma resposta rápida aos atos antidemocráticos marcados pela invasão de depredação do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto. Dos 513 deputados, 446 estavam presentes, de maneira presencial ou remota.

— Esta sessão é a prova concreta que a nossa democracia continua viva e funcionando plenamente. E continuará para sempre. A profanação do templo da democracia e o inaceitável vandalismo que aconteceram ontem na Praça dos Três Poderes são condenáveis sob todos os pontos de vista e merecem uma apuração rigorosa. As punições devem vir pelas mãos da Justiça com uma dosimetria que considere não só os danos ao patrimônio público como o simbolismo de um atentado simultâneo aos palácios que representam os poderes da nossa República. A resposta para o que foi feito, dos estragos ao patrimônio público e ao coração da República, é que a democracia funcione melhor, que faça mais e que alcance mais os seus objetivos — disse Lira ao abrir a sessão.

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Após a aprovação na Câmara, o decreto será submetido ao Senado. Mais cedo, o presidente da Casa em exercício, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), afirmou que a votação poderá ocorrer já nesta terça-feira.

Reunião de líderes da Câmara

A reunião de líderes na residência oficial da Câmara reuniu cerca de 30 parlamentares, um quórum maior do que o de costume. Deputados relataram ao GLOBO haver um sentimento de unificação entre os políticos após os episódios de destruição em Brasília. A exceção são os “bolsonaristas raiz”, que sequer participaram do encontro.

Um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), esteve na casa de Lira, mas não participou da reunião. De acordo com outros parlamentares, ele ficou o tempo todo em uma antessala, esperando o fim da reunião para então falar com Lira. Outra aliada de primeira hora do clã, Bia Kicis (PL-DF) chegou a sentar com os demais deputados na reunião, mas pouco interagiu, segundo congressistas presentes ao encontro.

O líder do PL na Câmara, partido de Bolsonaro, o deputado Altineu Cortes (RJ), falou aos colegas e condenou os atos terroristas, segundo interlocutores.