Câmara dos Deputados vota acusação para destituir presidente do Chile

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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, em apresentação à imprensa de um novo plano contra o crime organizado em Santiago, em 14 de outubro de 2021 (AFP/CLAUDIO REYES)

A Câmara dos Deputados do Chile vota nesta segunda-feira(8) uma acusação para destituir o presidente Sebastián Piñera após a divulgação dos "Pandora Papers", que denunciou a polêmica venda de uma mineradora no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

A iniciativa foi promovida pela oposição ao presidente conservador, depois que vieram à tona os termos da venda da mineradora Dominga por uma empresa de seus filhos em 2010. O material foi revelado pelo trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

A sessão começará com um debate sobre a procedência, ou não, da denúncia - um documento de 99 páginas -, que acusa Piñera de violar o princípio da probidade e o direito de viver em um ambiente livre de contaminação e de ter comprometido a honra da nação.

Segundo a investigação do veículos de imprensa chilenos CIPER e LaBot, incluída nos Pandora Papers, os filhos de Piñera venderam a mineradora para o empresário Carlos Alberto Delano - amigo íntimo do presidente - por US$ 152 milhões.

A operação, que ocorreu durante o primeiro governo de Piñera (2010-2014), foi realizada principalmente nas Ilhas Virgens.

O pagamento teve de ser feito em três parcelas. Uma cláusula polêmica condicionou o último pagamento ao "não estabelecimento de área de proteção ambiental sobre a área de atuação da mineradora, como reivindicam grupos ambientalistas".

Quando Piñera assumiu o poder, a área, que engloba um verdadeiro tesouro natural na costa do Pacífico, não foi considerada uma zona de proteção recomendada por sua antecessora Michelle Bachelet (2006-2010).

- Maratona de debates -

Segundo o deputado que defende a denúncia, o socialista Jaime Naranjo, a oposição obteve o apoio necessário de 78 votos para aprovar a acusação, que deve ser posteriormente votada no Senado.

O problema é que a votação deve ser presencial e entre os deputados que a apoiam está Giorgio Jackson, da Frente Amplio, que só poderá comparecer à meia-noite.

Jackson está em quarentena até então por que esteve em contato próximo com o candidato presidencial da mesma coalizão, Gabriel Boric, que testou positivo para o coronavírus há uma semana.

Sendo assim, a estratégia de Naranjo é estender seu discurso acusatório por várias horas.

"Tenho um discurso de 1.300 páginas. Falarei o tempo necessário até que Giorgio Jackson esteja na Câmara dos Deputados", disse Naranjo em sua conta no Twitter.

Sem esse voto, alertam a oposição, a acusação será rejeitada.

O advogado do presidente Piñera, Jorge Gálvez, disse nesta segunda-feira que a acusação constitucional "se baseia em fatos falsos, ou que foram denunciados de forma astuta e deturpada".

Nesta segunda-feira, o presidente poderá alegar inocência novamente antes que a Câmara dos Deputados faça a votação para determinar se seu impeachment procede, ou não.

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