Câmara dos EUA divulga declarações de imposto de renda de Trump

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pelos democratas, divulgou nesta sexta-feira (30) seis anos de declarações de imposto de renda do ex-presidente Donald Trump. A publicação acontece dias antes de os republicanos assumirem o controle da Casa.

Detalhes divulgados anteriormente pelo órgão mostraram que, durante os primeiros três anos de sua presidência, Trump pagou US$ 1,1 milhão (R$ 5,82 milhões) em imposto de renda, mas não pagou nenhum imposto em 2020, pois sua renda, segundo ele, teria diminuído. Durante seu primeiro ano como presidente, Trump pagou US$ 750 (R$ 3,9 mil) em imposto de renda federal e relatou prejuízos de US$ 12,9 milhões.

Os registros mostram que a renda e as responsabilidades fiscais de Trump flutuaram drasticamente de 2015 a 2020, entre sua primeira candidatura presidencial e o fim de seu mandato. Além disso, levantamento do jornal The New York Times indica que o republicano deixou de pagar impostos federais em 11 dos 18 anos analisados.

Espera-se ainda que os documentos divulgados possam esclarecer se Trump lucrou com as políticas fiscais que ele sancionou como presidente. Isso inclui, por exemplo, uma lei de 2017 que forneceu uma série de isenções e cortes de impostos para empresas e pessoas ricas.

Em um vídeo publicano nesta sexta, Trump minimizou a importância da divulgação de suas declarações e disse que os dados presentes no documento são complexos. "Embora essas declarações fiscais contenham relativamente pouca informação, não se tratam de informações que quase qualquer um pode entender", disse ele. "O comportamento dos democratas radicais é uma vergonha para o Congresso dos EUA", acrescentou.

A divulgação ocorre 10 dias depois que os democratas do Comitê de Meios e Recursos da Câmara publicaram dois relatórios sobre os impostos de Trump como parte de uma investigação sobre a prática da Receita Federal de realizar auditorias obrigatórias nos presidentes enquanto eles estão no cargo.

Os relatórios descobriram que órgão falhou em auditar Trump durante os primeiros dois anos de sua presidência e não iniciou o processo de exame até 2019, quando os democratas iniciaram o processo judicial para ter acesso aos registros fiscais do então presidente.

Diferentemente de antecessores no cargo, Trump sempre se negou a disponibilizar seus documentos fiscais, alegando se tratar de informações privadas. Já os democratas alegam que as informações são necessárias como parte de um programa da receita americana para auditar as declarações de renda de presidentes do país.

A questão foi resolvida no mês passado pela Suprema Corte do país, após o tribunal negar um pedido do republicano para que a Congresso não tivesse acesso às suas declarações.

Nesta sexta, os republicanos prometeram vingança, reforçando que assumirão o controle da Câmara em 2023. O deputado Kevin Brady, principal republicano do comitê, alertou que os futuros presidentes de comissões terão poder "quase ilimitado" para tornar públicas as declarações fiscais de "cidadãos, inimigos políticos, líderes empresariais e trabalhistas ou até mesmo dos próprios juízes da Suprema Corte". "A longo prazo, os democratas vão se arrepender", disse ele em um comunicado.

Ainda neste mês, outro comitê da Câmara havia recomendado o indiciamento do ex-presidente por conspiração e incitação à insurreição devido ao seu envolvimento na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Recentemente, Trump lançou sua candidatura à Presidência nas eleições de 2024. Ele segue mantendo grande influência no Partido Republicano e, segundo pesquisas de opinião, é o favorito para vencer as prévias da legenda.