Câmara dos Representantes dos EUA aponta negligência de Trump em invasão do Capitólio

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AP
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O ex-presidente Donald Trump foi negligente, omisso e poderia ter evitado a violência e proporção da invasão do capitólio, sede do Congresso Nacional dos Estados Unidos. Essa foi a conclusão preliminar da comissão especial da Câmara dos Representantes nos Estados Unidos sobre os ataques ao Capitólio por apoiadores de Trump, em 6 de janeiro de 2021, que terminou com 5 mortos e 140 policiais feridos.

Leandra Felipe, correspondente em Atlanta nos Estados Unidos

Os invasores pro-Trump prostestavam contra a ratificação ou formalização do resultado das eleições de novembro de 2020 que elegeram o democrata Joe Biden.

O resumo apresentado nessa quinta-feira (21) e transmitido em horário nobre pelas TV do Congresso e pelo Youtube apresentou um painel sobre o que Trump fez durante as três horas em que o Capitólio, em Washington, esteve sob ataque.

A relatora do Comitê, Elaine Luria, deputada democrata, apresentou um painel com depoimentos que detalharam o que Trump fez durante os 187 minutos do incidente. “Trump ficou assistindo TV sentado por horas, enquanto funcionários, assessores e filhos imploraram para que ele tomasse uma atitude para colocar fim à invasão”, disparou Luria.

Os vídeos trazem depoimentos importantes de funcionários próximos do ex-presidente, como o ex-conselheiro da Casa Branca, Pat Cipollone, o assessor de segurança nacional de Trump Matthew Pottinger, e a ex-assessora de imprensa, Sarah Matthews.

Ambos pediram demissão no dia 6 de janeiro, após o incidente, e disseram que Trump poderia ter tomado alguma atitude em questão de minutos e agido para parar com a violência. Ao longo da 8 audiências, ex-apoiadores e funcionários também acusaram Trump de incitar a violência.

O comitê mostrou ainda um vídeo inédito de Trump gravado no dia 7 de janeiro, no dia seguinte à insurreição do Capitólio, onde ele afirma que não estava disposto a admitir a derrota. Outra evidência foi uma mensagem de Trump no Twitter, no dia 6 de janeiro, no dia do ataque. Ele escreveu que amava seus apoiadores que participavam da invasão.

Recontagem de votos

Na época, Donald Trump tinha pedido a recontagem de votos e não aceitou a vitória de Joe Biden. Logo após o resultado das eleições, no final de 2020, ele começou a difundir a ideia de que havia ocorrido fraude eleitoral, mesmo que tivesse sido informado, segundo o comitê de investigações, de que essa hipótese era errônea.

A recontagem foi iniciada e a vitória de Biden, confirmada. Depois disso, Trump continuou insistindo que houve fraude e não reconheceu o resultado. Foi nesse contexto que o vice-presidente Mike Pence entrou em cena e, paralelamente, trabalhou pela ratificação do resultado das eleições no dia 6 de janeiro, apesar da pressão de Trump.

O comitê mostrou que Pence revisou com seus assessores a lei eleitoral do país. Na noite do dia 4 de janeiro, em uma reunião na Georgia, Trump disse que o destino dele estava nas mãos de Pence. No dia da invasão, o ex-vice-presidente presidiu a sessão e foi amplamente ameaçado pelos rebeldes. O serviço de segurança emitiu sinais de alerta crítico de que a vida de Pence poderia estar em risco.

Justiça decidirá se ele pode ser condenado

O comitê ainda vai voltar a se reunir em setembro, mas embora os indícios apontem para negligência e omissão por parte de Donald Trump, o comitê não pode condená-lo legalmente. Caberia ao Departamento de Justiça decidir ou não usar o material levantado para acusar o ex-presidente formalmente, o que não se sabe se irá ou não acontecer.

Um efeito esperado pelos democratas é que a imagem de Donald Trump tenha sido abalada. Uma pesquisa realizada pelas redes públicas de notícia NPR e PBS, divulgada essa semana, mostra que mais da metade dos norte-americanos acredita que Trump seja responsável pela violência no dia 6 de janeiro no Capitólio.

Porém, em um país polarizado, é preciso cautela: segundo a mesma pesquisa, somente 44% dos republicanos afirnaram estar acompanhando as audiências e investigações do comitê. Somente 18% daqueles que se declararam republicanos afirmaram que Trump deve ser responsabilizado pelo motim.

Entre democratas, 9 em cada 10 dizem que ele deve ser acusado criminalmente e, entre os republicanos, só 10% dizem que ele deveria ser punido. Isso já é importante para quem analisa as próximas eleições presidenciais de 2024. Trump já disse que vai concorrer novamente

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