'Câmara de gás' da PRF: policiais que trancaram Genivaldo em porta-malas seguem sem punição

Uma semana depois da morte de Genivaldo de Jesus Santos por sufocamento dentro de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Sergipe, os agentes que o trancaram no porta-malas do veículo infestado de gás lacrimogéneo não foram punidos. A corporação informou que os afastou dos seus cargos até a conclusão das investigações. O episódio foi filmado por testemunhas, e as imagens correram o país.

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Até agora, os policiais Kleber Nascimento Freitas, Paulo Rodolpho Lima Nascimento e William de Barros Noia também não se manifestaram publicamente.

Um dia depois de Genivaldo morrer na "câmara de gás" da PRF, a Polícia Federal abriu um inquérito "para investigar as circunstâncias da morte". A PF tem 30 dias para concluiu a apuração, que pode ser prorrogada ao fim desse prazo.

Logo após o ocorrido, a PRF alegou que Genivaldo fora vítima de um mal súbito, sem relação com a abordagem feita pelos agentes. No sábado, porém, o coordenador-geral de Comunicação Institucional da corporação, Marco Territo, gravou um vídeo para dizer que o órgão assistiu aos últimos momentos de vida do aposentado com "indignação".

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O presidente Jair Bolsonaro foi questionado sobre o caso na sexta-feira passada, quando os vídeos já haviam sido amplamente divulgados pela imprensa, mas disse que ia se informar antes de opinar. Ele aproveitou para fazer referência a uma outra ocorrência, em que dois policiais foram as vítimas:

— Vou me inteirar com a PRF. Eu vi há duas semanas aqueles dois policiais executados por um marginal que estava andando lá no Ceará. Foram negociar com ele, o cara tomou a arma dele e matou os dois. Talvez isso, nesse caso, não tomei conhecimento, o que tinha na cabeça dele.

O caso

Genivaldo foi morto pelos policiais em Umbaúba, a 100 quilômeros de Aracajú, na quarta-feira passada. Ele foi parado na blitz porque estava dirigindo sua moto sem capacete. A família da vítima afirmou que sofria de esquizofrenia e tomava remédios controlados.

No quinta-feira, o ministro da Justiça, Anderson Torres, ele próprio delegado federal, disse ter determinado a abertura de investigações tanto pela PF como pela PRF com o objetivo de "esclarecer o episódio com a brevidade que o caso requer". A PRF informou somente ter afastado os policiais que abordaram Genivaldo.

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Só três dias depois do caso, a PF informou em nota que quatro peritos federais tinham se deslocado de Brasília para efetuar os trabalhos periciais na viatura e no local da abordagem, além de coletar material probatório. Nesse dia, 72 horas depois do ocorrido, a PF também disse que trabalhava para identificar testemunhas e que deve levar um mês para encaminhar o inquérito ao Ministério Público Federal.

Apesar da investigação em curso, os próximos dias devem ser de liberdade ao trio de policiais que matou Genivaldo.

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