Câmara: Lira e Maia batem boca em reunião após bloco de Baleia ser aceito

Natália Portinari e Paulo Cappelli
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BRASÍLIA — O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o candidato do PP a sua sucessão, Arthur Lira (AL), bateram boca durante reunião de líderes nesta segunda-feira após a Mesa ter aceitado o registro do bloco de Baleia Rossi (MDB-SP). Segundo Lira, Baleia perdeu o prazo, que era até o meio-dia, para fazer o registro. O candidato apoiado pelo Planalto alega ainda que o PT, que aderiu ao bloco de Baleia, só registrou seu apoio seis minutos após o prazo expirar. O PP chegou a ameaçar ir ao Supremo, mas após o Republicanos, que apoia Lira, abrir mão de uma vaga na Mesa, a ação não será protocolada.

Durante a reunião de líderes, da qual participaram Lira e Maia, houve bate-boca, segundo relato de presentes. Em meio à discussão, Lira ergueu o tom, e Rodrigo Maia perguntou se o adversário "pensava que estava em Alagoas". Ao que Lira respondeu:

— E você está pensando que está no morro carioca?

O líder do PL e aliado de Lira, Wellington Roberto (PB), bateu na mesa e disse que eles não iriam participar da discussão naqueles termos. Os apoiadores do candidato do PP abandonaram a reunião em seguida.

— O presidente Rodrigo Maia não é dono do Brasil. Rodrigo perdeu a condição moral, ética e pessoal de conduzir esse processo. Ele tem que ser afastado urgentemente pelo STF do processo (da eleição). Lógico que não vou pedir o adiamento da eleição - disse Lira, visto como favorito no pleito.

Presidente nacional do Republicanos, que integra o bloco de Lira, Marcos Pereira (SP) endossou as críticas.

— Como é que um presidente preside uma eleição com total parcialidade? O que Rodrigo está fazendo é um achaque à democracia brasileira. Tanto que ele diz: "o nosso bloco". Eles perderam o prazo para registrar o bloco. O PT só aderiu ao bloco 12h06m, após o prazo expirar. Nós saímos todos da eleição em protesto. Não vamos aceitar desse jeito. Vamos nos reunir para decidir o que fazer. O STF é uma opção.

A não oficialização do bloco de Baleia faria com que, além de deixar de contar com o apoio oficial do PT, maior partido da Casa, Baleia não possa escolher que cargos seus aliados ocuparão na mesa diretora da Câmara em caso de vitória.

A votação para a presidência da Câmara é secreta e está prevista para ocorrer na noite desta segunda-feira.