Câmara reforça segurança para votar projeto que permite armar Guarda Municipal

Felipe Grinberg

A segurança na Câmara de Vereadores do Rio foi reforçada nesta quarta-feira antes da votação em primeira discussão do projeto que permite armar a Guarda Municipal. Segundo o texto da proposta, os guardas municipais deverão passar por um curso de capacitação de 600 horas para poder usar arma letal. Do lado de fora do Palácio Pedro Ernesto, guardas municipais fardados e à paisana se misturam aos policiais militares que reforçam a segurança no entorno do Palácio Pedro Ernesto:

— É um projeto que, além da defesa do guarda, aumenta a segurança da população. O programa Segurança Presente, por exemplo, aumentou muito a seguranca em alguns lugares. Na Zona Oeste, principalmente, não vemos isso acontecer. O que é gasto nesses programas pode ser investido na Guarda Municipal — destacou o guarda municipal Marcus Crisciullo.

Nas escadas da Câmara movimentos anti-violência espalharam mais de 50 fotos de jovens que teriam sido mortos por agentes do estado:

— Já tem arma demais na mão da polícia e do estado, não precisamos de mais gente armada — protesta João Costa, do movimento Tortura Nunca Mais.

O objetivo do projeto, segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, é que esses agentes trabalhem em grupos táticos, como patrulha da Lei Maria da Penha e na segurança de pontos turísticos, para liberar o efetivo da Polícia Militar. O texto, de autoria do vereador Jones Moura (PSD), guarda municipal e presidente da comissão permanente de Segurança Pública da Casa, precisa dos votos de pelo menos 34 dos 51 vereadores em duas discussões para ser aprovado antes de seguir para a análise do prefeito Marcelo Crivella.

De acordo com Fonseca, não caberá à Guarda Municipal “subir morro” na cidade. Tanto o secretário quanto a comandante da corporação, Tatiana Mendes, garantiram que nem todos os agentes poderão usar armamento letal nas ruas do município. As afirmações ocorreram na audiência pública realizada na manhã desta terça-feira na Câmara de Vereadores do Rio com a presença de representantes da prefeitura, entre eles, o secretário municipal de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, a inspetora-geral da Guarda Municipal, Tatiana Mendes, o diretor de operações da corporação, Alex Pinheiro, e o corregedor da GM, Pedro Filho.

— Uma outra proposta é usar armamento com sistema de GPS, que já existe. Em São Paulo, a guarda faz a patrulha da Lei Maria da Penha. Nossa proposta é de criar grupos táticos para atuar em certos casos. Se vocês forem agora ao Cristo Redentor terá uma viatura da Polícia Militar. No Pão de Açúcar, também. A partir do momento que tem a guarda armada eu libero esse efetivo (da Polícia Militar). Não é papel do guarda municipal subir morro. A média de redução de homicídios e de agressão (quando a guarda é armada) é de 40% em todo o país — afirmou o secretário de Ordem Pública durante audiência pública sobre o tema realizado nesta terça-feira.