Câmara de Repreentantes vota sobre julgamento político de Trump

Por Charlotte PLANTIVE
A Câmara de Representantes vota nesta quarta-feira duas acusações contra o presidente Donald Trump

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos pretende votar nesta quarta-feira duas acusações contra Donald Trump, que está a um passo de virar o terceiro presidente dos Estados Unidos a enfrentar um julgamento político.

A Câmara, que tem maioria democrata, decidirá no fim da tarde, após uma sessão de seis horas, se aprova as acusações de "abuso de poder" e "obstrução ao trabalho do Congresso" contra o presidente.

"A Câmara de Representantes exercerá uma das atribuições mais solenes que a Constituição lhe concede, quando se reunir para aprovar dois artigos de acusação contra o presidente", declarou na terça-feira a líder democrata Nancy Pelosi em carta enviada aos congressistas de seu partido.

Em uma carta de mais de cinco páginas em tom raivoso, na qual considera "enganosas e absurdas" as acusações apresentadas contra ele, Trump se apresenta como uma vítima de uma "cruzada viciosa", acusa Pelosi de "minar a democracia" e adverte que "a história a julgará duramente".

Para o presidente, a votação na Câmara de Representantes "não é nada mais que uma tentativa de golpe de Estado ilegal e partidária", motivada pelo ressentimento. Ele acusou os democratas de incapacidade de aceitar o veredicto das urnas.

E afirma que sairá vitorioso do processo: "Não tenho dúvidas de que o povo americano a responsabilizará, junto com os democratas, nas eleições de 2020".

O impeachment divide a população: uma pesquisa CNN/SSR mostra que 45% dos americanos querem que Trump seja afastado do cargo (um percentual que sobe para 77% entre os eleitores democratas), enquanto 47% são contra.

Alguns congressistas democratas democratas moderados, eleitos em regiões favoráveis a Trump, afirmaram que pretendem aprovar o julgamento do presidente, mesmo sob o risco de perder eleitores.

Apenas dois dos 231 representantes democratas poderiam votar a favor de Trump, enquanto nenhum dos 197 deputados republicanos anunciou apoio ao processo de destituição.

Desta maneira há poucas dúvidas de que Trump será submetido a um julgamento político no Senado, algo que só aconteceu a dois de seus antecessores: Andrew Johnson em 1868 e Bill Clinton em 1998. O republicano Richard Nixon, envolvido no escândalo Watergate, preferiu renunciar em 1974 antes de sofrer o estigma.

O julgamento de Trump no Senado provavelmente acontecerá em janeiro. Por enquanto, nas condições políticas atuais, a previsão é de que o presidente seja absolvido na Câmara Alta: seriam necessários pelo menos 67 votos para afastá-lo do cargo, e os republicanos ocupam 53 dos 100 assentos.

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, declarou na terça-feira que "a investigação apressada" dos democratas da Câmara, visando à destituição do presidente, é um fracasso e rejeitou a exigência democrata de convocar novas testemunhas.

"Não é tarefa do Senado procurar desesperadamente maneiras de condenar (o presidente). Isso dificilmente seria uma justiça imparcial", criticou McConnell.

- Riscos eleitorais -

Trump está convencido de que será beneficiado. No Twitter, ele destacou uma pesquisa recente do jornal USA Today que o aponta como vencedor das eleições de 2020 contra todos os possíveis candidatos democratas.

Consciente do risco eleitoral, Pelosi conteve durante muito tempo os pedidos de abertura de um processo de impeachment contra Trump.

Ela iniciou a investigação no fim de setembro, após a divulgação da denúncia de um funcionário não identificado sobre a suposta conduta inapropriada do presidente durante uma ligação telefônica em 25 de julho ao colega ucraniano, Volodimir Zelenski.

Várias testemunhas confirmaram ao Comitê Judicial da Câmara as pressões para obrigar Kiev a anunciar uma investigação por corrupção contra o ex-vice-presidente Joe Biden - possível rival de Trump em 2020 - e de seu filho Hunter.

Trump insiste que a conversa telefônica foi "perfeita".

A Casa Branca se negou a cooperar com a investigação, que chamou de "inconstitucional", e proibiu que vários assessores prestassem depoimento.

Por este motivo, os democratas acusam Trump de abuso de poder para benefício pessoal e de obstrução do trabalho do Congresso.