Câmara de Representantes dos EUA apresenta acusação contra Trump

Elodie CUZIN
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Os democratas apresentam ao Senado nesta segunda-feira (25) a acusação contra Donald Trump, na abertura formal do segundo julgamento político contra o ex-presidente dos Estados Unidos, acusado de "incitar a insurgência" durante a invasão ao Capitólio.

Menos de uma semana depois de deixar a Casa Branca, o magnata republicano está mais uma vez no centro do noticiário em Washington.

A presidente da Câmara dos Representantes (deputados), a democrata Nancy Pelosi, disse que a acusação contra o ex-presidente republicano será entregue por volta das 19h00 (21h de Brasília) ao secretário da Câmara Alta (Senado).

O processo contra Trump no Senado terá início na semana do dia 8 de fevereiro. Democratas e republicanos concordaram em adiar o início para dar a Trump mais tempo para preparar sua defesa e a Biden uma chance para o Senado confirmar os membros do seu gabinete.

Depois de um fim de semana de silêncio que contrastou com o frenesi de Trump no Twitter, Biden continua a assinar dezenas de decretos para aliviar a crise sanitária e econômica do país, entre outras medidas.

Biden revogou a proibição de seu antecessor para que transgêneros sirvam nas forças armadas, uma decisão considerada discriminatória.

E esta tarde ele deve assinar um novo decreto reforçando o "Made in America", que dá prioridade às empresas e produtos americanos nos contratos com o governo federal.

- Impeachment histórico -

Acusado de "incitar a insurgência" pela Câmara de Representantes em 13 de janeiro, Trump se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos a enfrentar impeachment em duas ocasiões.

Em dezembro de 2019, ele foi indiciado por "abuso de poder" e "obstrução ao bom andamento do Congresso" por suposta pressão sobre a Ucrânia para prejudicar Biden. Mas ele foi absolvido em 5 de fevereiro de 2020 pelo Senado, então de maioria republicana.

Esta noite, os "promotores" da Câmara de Representantes percorrerão os longos e ricamente decorados corredores que os separam do Senado para apresentar a acusação contra o 45º presidente dos Estados Unidos. Em seguida, irão lê-la na frente dos senadores.

Trump é acusado de ter incitado seus partidários a invadir a sede do Congresso em 6 de janeiro, enquanto parlamentares certificavam a vitória de seu adversário nas eleições presidenciais.

"Nunca terão nosso país de volta sendo fracos", disse Trump aos manifestantes pouco antes do ataque ao Capitólio, que deixou cinco mortos. "Têm que mostrar força."

A violência desencadeada horas depois chocou os Estados Unidos e gerou a rejeição de inúmeras personalidades.

Mas uma condenação no Senado parece improvável neste momento, já que o magnata do mercado imobiliário, ainda muito popular entre seus eleitores, ainda tem apoiadores importantes na Câmara Alta.

- Julgamento "estúpido" -

Antes da cerimônia, o Senado deve aprovar a nomeação de Janet Yellen como Secretária do Tesouro. A votação de confirmação do futuro chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, pode ocorrer na terça-feira.

Com uma perspectiva sombria nos Estados Unidos devido às quase 420.000 mortes pela pandemia e à crise econômica que ela causou, Biden propôs um plano de reativação gigantesco no valor de 1,9 trilhão de dólares.

Mas sua adoção no Congresso parece, por enquanto, comprometida pela forte oposição dos republicanos, mas também pela relutância dos democratas moderados.

Desde a quarta-feira, os democratas assumiram o controle do Senado. A Câmara de Representantes já era dominada por eles.

Na Câmara alta, passam a ter 50 cadeiras, o mesmo número dos republicanos, com a diferença de que, em caso de empate na votação, a nova vice-presidente Kamala Harris dará o voto decisivo.

Sessenta votos são necessários para aprovar as principais reformas. E dois terços do Senado para condenar Trump, uma meta que parece difícil de alcançar, embora seu influente líder da minoria republicana, Mitch McConnell, não tenha descartado votar pela condenação.

"Acho esse julgamento estúpido. Acho que vai ser contraproducente", afirmou o senador republicano Marco Rubio ao Fox Sunday. "O país já está pegando fogo, é como jogar gasolina", acrescentou.

Outros esperam bloquear completamente a realização do julgamento, declarando que é inconstitucional julgar um ex-presidente.

Grande crítico de Trump, o senador republicano Mitt Romney é uma das poucas vozes de seu partido que apoiam o procedimento, embora não tenha falado publicamente sobre seu voto.

O ex-candidato presidencial foi o único senador republicano a condenar Trump no primeiro julgamento de impeachment.

Entre os democratas, porém, os votos são quase unânimes.

"Ele deve enfrentar suas responsabilidades. O futuro deste país está em jogo", disse o presidente do Comitê Judiciário da Câmara, Jerry Nadler.

Além do Congresso, o futuro judicial do ex-presidente continua muito complicado, com vários processos iniciados em todo o país.

Mas o Supremo Tribunal Federal iluminou seu horizonte nesta segunda-feira ao ordenar o encerramento dos processos relacionados à receita de origem estrangeira extraída de seus grandes hotéis.

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