Câmara de SP aprova, em primeira discussão, aumento de salário de Bruno Covas em 46%

Gustavo Schmitt
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Pablo Jacob / Agência O Globo

SÃO PAULO - Mesmo após um ano de contingenciamento de gastos devido à pandemia da Covid-19, a Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou, em primeira discussão, o aumento de 46% no salário do prefeito Bruno Covas, do PSDB, cuja remuneração saltará de R$ 24,1 mil para R$ 35,4 mil.

A medida também se estende aos salários do vice-prefeito Ricardo Nunes e dos secretários de governo. No entanto, ainda precisa ser aprovada numa segunda votação, o que está previsto para ocorrer na quarta-feira.

O reajuste deve entrar em vigor a partir de 2022 e obedece a lei complementar 173/2020, cujo texto permitiu socorro financeiro a estados e municípios em meio à Covid-19, e que impede reajustes de servidores até dezembro de 2021.

A sessão foi convocada de forma extraordinária e seguiu sob a batuta do presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), que comanda a base de apoio ao governo na Casa.

A medida foi alvo de críticas em razão de ocorrer num momento de crise fiscal e sanitária. Adversário derrotado por Covas na eleição à prefeitura deste ano, o líder sem teto Guilherme Boulos (PSOL) classificou a medida como "escárnio" e convocou aliados para denunciar a medida.

"Enquanto o povo está à beira do desespero, aprovaram hoje em São Paulo o aumento de salário do prefeito, vice e secretários. Covas recebeu aumento de 46%. Esse é o exemplo de "gestão" dos tucanos. A segunda votação acontece nesta quarta. Vamos denunciar esse absurdo!", escreveu Boulos em sua conta oficial no Twitter.

Em nota, a Câmara disse que o salário do prefeito, vice e secretários não era corrigido desde 2012 e estava em patamar abaixo da inflação acumulada nos últimos oito anos.

"Desde a última correção, em 2012, a inflação acumulada chega a 63,11% pelo IPCA e 100,41% pelo IGP. Importante ressaltar ainda que a correção valerá apenas a partir de janeiro de 2022".

A prefeitura de São Paulo informou que o projeto é de autoria da Mesa Diretora da Câmara e que segue em tramitação, sem fazer considerações sobre se o gasto seria ou não adequado em momento de crise.