Câmara técnica cobra que Ministério da Saúde acate parecer científico e vacine crianças contra Covid

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SÃO PAULO — A Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI-COVID) divulgou nota na noite desta quinta-feira cobrando que o Ministério da Saúde “acate o posicionamento obtido por unanimidade” em favor da vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid. O órgão foi criado pela própria pasta para com o “objetivo de avaliar os aspectos técnicos e científicos necessários à adoção de medidas para o enfrentamento à Covid-19".

Na quinta-feira o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o governo federal autorizará a aplicação de vacinas em crianças apenas sob a prescrição de um médico, contrariando parecer científico da câmara técnica e de outros órgãos e sociedades científicas do país.

Dados da Ctai mostram que uma criança morreu por Covid a cada dois dias no Brasil ao longo da pandemia. Até o início de dezembro, 2.978 diagnósticos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid ocorreram em crianças de 5 a 11 anos, com 156 mortes, em 2020. E em 2021, já foram registrados 3.185 casos nessa faixa etária, com 145 mortes, totalizando 6.163 casos e 301 mortes desde o início da pandemia, o que, em 21 meses de pandemia, significa 14,3 mortes por mês.

“Diante do exposto, a CTAI COVID-19 espera que o Ministério da Saúde acate o posicionamento obtido por unanimidade e defina as estratégias para a operacionalização mais adequada da vacinação desse grupo etário, a fim de alcançar a maior cobertura, no menor tempo possível”, afirma a nota.

“Destacamos ainda, que a chegada de uma nova variante como a Ômicron, com maior transmissibilidade, faz das crianças (ainda não vacinadas) um grupo com maior risco de infecção, conforme vem sendo observado em outros países onde houve transmissão comunitária desta variante. Neste contexto epidemiológico, torna-se oportuno e urgente ampliarmos o benefício da vacinação a este grupo etário.”

A câmara é composta por representantes de diversas entidades diretamente ligadas ao tema Imunizações, tais como a Sociedade Brasileira de Pediatria; a Sociedade Brasileira de Imunizações; a Sociedade Brasileira de Infectologia; a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia; a Associação Brasileira de Saúde Coletiva; a Sociedade Brasileira de Reumatologia; a Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia; Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia; a Associação de Medicina Intensiva Brasileira; o Conselho Federal e Enfermagem; o Conselho Federal de Medicina; pesquisadores e representantes da Fiocruz e do Instituto Butantan.

O pedido recebeu ainda o apoio da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), da Associação Médica Brasileira (AMB), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), do Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (CONASEMS) e Associação Brasileira de Saúde Pública (ABRASCO) entre outras entidades e pessoas reconhecidas por notório saber na área.

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